Ficha Catalográfica: O Que É e Como Fazer no TCC [2026]

A ficha catalográfica é aquele quadrinho com moldura preta que aparece no verso da folha de rosto e que quase ninguém sabe de onde tira. Ela costuma ser lembrada na última semana antes da entrega, quando o aluno descobre que a secretaria não aceita o trabalho sem ela.
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A boa notícia é que não é você quem precisa montar a ficha do zero. Ela é feita por bibliotecário, e a maior parte das instituições oferece o serviço de graça para o próprio aluno, seja por formulário online, seja por atendimento na biblioteca. O que cabe a você é reunir os dados certos, pedir com antecedência e colar no lugar certo do arquivo.
Neste guia você vai ver o que é a ficha, onde ela entra no trabalho, o formato exigido, o que significa cada linha, o passo a passo para conseguir a sua e os erros que fazem o trabalho voltar para correção.
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O que é ficha catalográfica e por que ela é obrigatória
Ficha catalográfica é o registro que identifica o seu trabalho dentro de um acervo. Ela reúne, num bloco padronizado, os dados que uma biblioteca precisa para catalogar, localizar e recuperar o documento: quem escreveu, qual o título, quantas folhas tem, em que ano foi defendido, quem orientou e sob quais assuntos ele deve ser indexado.
Duas bases sustentam a exigência. A primeira é a NBR 14724, norma da ABNT que trata da apresentação de trabalhos acadêmicos e que está na 4ª edição, publicada em 16 de dezembro de 2024, substituindo a versão de 2011. A segunda é a Lei Federal nº 10.753/2003, que institui a Política Nacional do Livro e prevê a ficha em publicação monográfica.
Na prática, quem define o detalhe é o manual do seu curso. Algumas instituições tratam a ficha como elemento obrigatório para qualquer TCC de graduação; outras exigem só em monografia, dissertação e tese; outras dispensam em trabalhos que não vão para o acervo. Antes de qualquer coisa, abra o manual e confirme. É a única fonte que vale para a sua banca.
Vale entender também para que ela serve depois da entrega. Um trabalho catalogado entra no repositório institucional, ganha um registro permanente e passa a ser localizável por outros pesquisadores. É o que transforma o seu TCC de arquivo pessoal em fonte que alguém pode citar. Se você pretende continuar na vida acadêmica, esse detalhe conta.
Ficha catalográfica TCC: onde ela fica no trabalho

A posição é fixa e não muda de instituição para instituição: verso da folha de rosto, centralizada, na parte inferior da folha. Nada de página própria, nada depois do sumário, nada no fim do trabalho.
A confusão mais comum é entre capa e folha de rosto. A capa é a primeira folha, com nome da instituição, autor, título, cidade e ano. A folha de rosto vem logo depois e repete esses dados acrescentando a natureza do trabalho, o nome do orientador e o objetivo acadêmico. É no verso dessa segunda folha que a ficha entra.
Duas consequências práticas disso. Primeiro, o verso da folha de rosto passa a ser uma página que existe fisicamente no arquivo, mesmo que quase vazia. Segundo, ela é contada na paginação mas não recebe número visível, exatamente como as demais folhas pré-textuais. A numeração só aparece a partir da introdução, e essa regra vale para o trabalho inteiro.
Se o seu trabalho vai ser entregue só em PDF, a lógica é a mesma: a ficha ocupa a segunda página do arquivo, logo após a folha de rosto. Para conferir a estrutura completa das folhas iniciais, o guia sobre a capa de trabalho acadêmico ABNT mostra a sequência pré-textual inteira.
Ficha catalográfica ABNT: tamanho, moldura e fonte
O padrão que as bibliotecas brasileiras adotam é um quadro de 7,5 cm de altura por 12,5 cm de largura, com moldura simples, posicionado na metade inferior da folha e centralizado horizontalmente.
Dentro do quadro, a fonte costuma ser a mesma do corpo do trabalho, em tamanho menor, geralmente 10 ou 11, com espaçamento simples. O recuo interno segue um padrão de catalogação: a primeira linha de cada parágrafo começa na margem e as linhas seguintes entram alguns espaços, formando um degrau que ajuda o bibliotecário a ler o registro rapidamente.
Uma observação que evita retrabalho: a ficha catalográfica ABNT chega até você como imagem ou como PDF já formatado. Não tente redigitar o conteúdo dentro do Word. Qualquer alteração de fonte, quebra de linha ou recuo descaracteriza o registro e a biblioteca pode recusar. Cole o arquivo como recebeu, ajustando apenas a posição na página.
Se a sua instituição enviar a ficha em formato de imagem e a resolução ficar ruim na impressão, peça o arquivo em PDF ou em resolução maior. Ficha ilegível é motivo de devolução em várias secretarias. Sobre o resto da formatação da página, o material de recuo de parágrafo ABNT cobre margens e espaçamento.
Ficha catalográfica exemplo: o que vai em cada campo

Olhando de cima para baixo, um registro típico traz os elementos abaixo. Os valores mudam, a ordem quase nunca.
Cabeçalho de autoria. Sobrenome em maiúsculas, vírgula, prenomes por extenso. É por esse campo que o trabalho é alfabetado no acervo, por isso ele vem primeiro e invertido.
Título e subtítulo. Exatamente como aparecem na folha de rosto, sem abreviar e sem corrigir. Se houver subtítulo, ele entra depois de dois-pontos.
Local, ano e paginação. Cidade da instituição, ano da defesa e o total de folhas. Aqui mora uma pegadinha: conta-se folhas, não páginas, e o número é o da última folha numerada do trabalho, incluindo apêndices e anexos.
Natureza do trabalho. Uma nota informando o tipo (trabalho de conclusão de curso, monografia, dissertação), o curso, a instituição e o ano.
Nome do orientador. Com titulação, quando o manual pedir. Coorientador entra na mesma linha ou na seguinte.
Palavras-chave numeradas. Os assuntos sob os quais o trabalho será indexado, normalmente entre três e cinco. Não são as mesmas palavras-chave do resumo por acaso: costumam coincidir, mas o bibliotecário pode ajustar para termos controlados do vocabulário da área.
Notação de classificação. Códigos como CDD ou CDU, que posicionam o trabalho na estante temática. Quem define é o bibliotecário, não o aluno.
Repare que quase tudo é copiado da sua folha de rosto. Por isso o primeiro passo prático é ter a folha de rosto fechada e revisada antes de pedir a ficha: qualquer mudança de título depois obriga a pedir uma ficha nova.
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Como fazer ficha catalográfica em quatro passos

1. Conferir o manual do curso. Procure a seção de elementos pré-textuais e veja três coisas: se a ficha é exigida no seu tipo de trabalho, quem emite na sua instituição e qual o prazo. Algumas bibliotecas pedem até dez dias úteis, e isso muda o seu cronograma.
2. Reunir os dados do trabalho. Título e subtítulo finais, seu nome completo, nome e titulação do orientador, curso, ano de defesa, cidade, total de folhas e as palavras-chave. Deixe tudo num arquivo só, copiado da folha de rosto já revisada.
3. Pedir na biblioteca ou usar o gerador da instituição. A maioria das universidades tem um formulário online próprio que devolve a ficha pronta por e-mail em poucos minutos ou em alguns dias. Prefira sempre o gerador da sua instituição ao de terceiros: o formato varia entre bibliotecas, e a sua vai reconhecer o padrão dela.
4. Inserir no verso da folha de rosto. Cole o arquivo recebido na parte inferior da página, centralizado, sem redigitar o conteúdo. Confira na visualização de impressão se a moldura não ficou cortada nem esticada.
Se a sua instituição não oferece o serviço, procure a biblioteca de uma unidade próxima da mesma rede ou pergunte à coordenação qual o procedimento aceito. Existem serviços particulares que emitem ficha assinada por bibliotecário, mas confirme antes se o seu curso aceita ficha de fora.
O que muda entre TCC, monografia, dissertação e tese
A ficha é a mesma peça em todos os formatos, mas alguns campos mudam e vale saber quais antes de preencher o formulário da biblioteca.
TCC de graduação e monografia. A natureza do trabalho aparece como trabalho de conclusão de curso ou monografia, seguida do curso e da instituição. Em muitas faculdades particulares a ficha só é exigida quando o trabalho vai para o repositório, então confirme antes de correr atrás.
Especialização e MBA. A nota informa que se trata de trabalho apresentado a curso de pós-graduação lato sensu, com o nome do programa. Aqui a exigência costuma ser maior, porque esses trabalhos quase sempre são arquivados.
Dissertação de mestrado e tese de doutorado. São os casos em que a ficha é praticamente universal. A nota traz o programa de pós-graduação, a área de concentração e a linha de pesquisa, além do orientador e do coorientador quando houver. A biblioteca costuma ser mais rigorosa com o vocabulário das palavras-chave, porque esses registros alimentam bases nacionais.
Artigo científico. Em geral não leva ficha. Artigo é submetido a periódico, que tem seus próprios metadados. A exceção é quando o curso aceita artigo como formato de TCC e ainda assim arquiva o trabalho no repositório.
Uma diferença que pega muita gente: em dissertação e tese, o número de folhas informado precisa bater com a versão final depositada, não com a versão levada à defesa. Se a banca pediu correções que mudaram a paginação, a ficha tem que ser pedida depois de aplicar as correções.
Independentemente do formato, a lógica é sempre a mesma: a ficha descreve o documento que será arquivado. Enquanto o documento ainda pode mudar, é cedo para pedir a ficha.
Quem pode assinar a ficha: o papel do bibliotecário
A catalogação é atividade privativa de bibliotecário com registro ativo no Conselho Regional de Biblioteconomia. Por isso toda ficha traz, no rodapé, o nome do profissional e o número do CRB dele.
Isso explica por que você não deve montar a sua no Word imitando o modelo de um colega. Sem a assinatura profissional, o registro não tem validade para o acervo, e muitas secretarias conferem justamente essa linha.
Explica também por que os campos de classificação ficam em branco quando você preenche um formulário online: CDD, CDU e os termos de indexação são decididos por quem cataloga, a partir do título, do resumo e das palavras-chave que você informou. É normal a ficha voltar com assuntos ligeiramente diferentes dos que você sugeriu.
Um detalhe que gera dúvida: a ficha não precisa de assinatura manuscrita nem de carimbo. O nome e o CRB impressos no rodapé bastam.
Erros que fazem a secretaria devolver o trabalho

Moldura fora do padrão. Redimensionar a imagem ao colar deforma o quadro. Insira em tamanho real e confira se ficou perto de 7,5 por 12,5 cm.
Contagem de folhas errada. Muita gente informa o número de páginas do Word ou esquece de somar apêndices e anexos. Peça a ficha só depois de o trabalho estar fechado, e conte folhas, não páginas.
Ficha na página errada. Colocar em página própria, depois do sumário ou no fim do trabalho. O lugar é o verso da folha de rosto.
Título divergente. Mudou o título depois de receber a ficha e não pediu uma nova. A banca compara os dois, e essa é uma das devoluções mais frequentes.
Sem o nome do orientador. Alguns formulários deixam o campo opcional, mas boa parte dos manuais exige. Confira antes de enviar.
Fonte e recuo alterados. Redigitar o conteúdo para “arrumar” o alinhamento quebra o padrão de catalogação.
Deixar para a última semana. O prazo da biblioteca não depende de você. Peça a ficha assim que o texto estiver fechado, antes mesmo da revisão final de formatação.
Perguntas frequentes sobre ficha catalográfica
Todo TCC precisa de ficha catalográfica? Depende do manual do curso. É comum ser obrigatória em monografia, dissertação e tese, e variável em TCC de graduação e artigo. Consulte o regulamento do seu curso.
Posso fazer sozinho no Word? Não. A catalogação é privativa de bibliotecário com CRB ativo, e a ficha traz o registro dele no rodapé.
Quanto tempo demora? Varia de alguns minutos, nos geradores automáticos das próprias bibliotecas, a até dez dias úteis, quando o pedido é manual. Peça com folga.
Preciso pagar? Na maioria das instituições públicas e privadas o serviço é gratuito para o aluno matriculado. Serviços particulares cobram, mas confirme antes se o seu curso aceita ficha emitida fora.
Mudei o título depois. E agora? Peça uma ficha nova. Editar o arquivo por conta própria invalida o registro.
Conta folhas ou páginas? Folhas. Uma folha impressa frente e verso equivale a duas páginas e a uma folha só.
A ficha aparece no sumário? Não. Ela é elemento pré-textual e não entra no sumário, assim como capa, folha de rosto e resumo.
Onde vejo modelos reais? Nos repositórios institucionais. A SciELO e o Portal de Periódicos da CAPES ajudam a encontrar trabalhos publicados da sua área, e o repositório da sua própria universidade mostra exatamente o padrão que a sua banca espera ver.
Se ainda estiver montando as partes iniciais do trabalho, vale conferir também o que muda entre os formatos em o que é monografia.
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Escrito por Deivid Silva Santos
Fundador da TCC Solutions Group
Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.
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