Livro com regras de Normas ABNT para Resenha
Resenha boa se decide na leitura: síntese e crítica saem das anotações.

Atualizado em 28/07/2026 · 14 min de leitura

Quem procura por normas ABNT para resenha costuma esbarrar num detalhe pouco divulgado: não existe uma NBR específica para resenha. O que existe são as normas gerais de apresentação de trabalhos acadêmicos, de citação e de referência, que se aplicam a ela como se aplicam a qualquer outro texto entregue na faculdade. Este guia mostra o que a norma efetivamente exige, qual é a estrutura esperada, a diferença entre resumo e resenha crítica, e como referenciar a obra que você está comentando.

O que as Normas ABNT para Resenha realmente determina

Vale desfazer o mal-entendido logo. Não procure por uma norma de resenha, porque você não vai achar. As referências que se aplicam ao seu texto são outras três, e conhecê-las resolve a maior parte das dúvidas de formatação.

Um alerta prático: muitos manuais institucionais ainda reproduzem as versões antigas dessas normas. Quando houver divergência, o manual da sua faculdade é o que vale na correção, porque é ele que o professor usa.

Formatação: o que aplicar na prática

ElementoPadrão usual
PapelA4, branco
Margens3 cm à esquerda e superior, 2 cm à direita e inferior
FonteTamanho 12 no corpo, menor e uniforme em citações longas e notas
Espaçamento1,5 no texto, simples nas citações longas, notas e referências
Recuo de parágrafo1,25 cm na primeira linha
Citação com mais de três linhasRecuo de 4 cm, sem aspas, fonte menor, espaçamento simples
AlinhamentoJustificado
ExtensãoGeralmente de 2 a 5 páginas, conforme o professor pedir

Resenha costuma ser um texto curto, e por isso raramente leva capa, sumário ou outros elementos pré-textuais. Quando o professor pede capa, ela segue o mesmo padrão dos demais trabalhos. Na dúvida, uma folha de rosto simples com instituição, curso, seu nome, título e data resolve sem parecer excessiva.

Balança comparando um documento e um balão de fala com estrela
Resumo apresenta o conteúdo; resenha apresenta e avalia com argumento.

Resenha, resumo e fichamento não são a mesma coisa

Essa confusão é a maior causa de nota baixa nesse tipo de trabalho. O aluno entrega um resumo caprichado e recebe a observação de que faltou análise crítica.

O teste rápido para saber se você escreveu uma resenha ou um resumo: procure no seu texto uma frase que apresente a sua avaliação com justificativa. Se não houver nenhuma, você escreveu um resumo. Avaliar não significa dizer que gostou; significa apontar, com base em algo, onde o autor convence e onde a argumentação fica frágil.

Página dividida em quatro blocos de tamanhos diferentes
O peso de cada parte: síntese e avaliação ocupam quase todo o texto.

A estrutura da resenha, parte por parte

A resenha é um texto corrido, sem numeração de seções na maioria dos casos, mas com uma organização interna reconhecível. As proporções abaixo consideram um texto de três páginas.

Referência completa da obra no topo

Antes do texto, a entrada bibliográfica completa do que está sendo resenhado. É o que permite ao leitor identificar exatamente a edição comentada. Alguns professores pedem também o número total de páginas da obra.

Credenciais do autor

Um parágrafo curto sobre quem escreveu: formação, área de atuação, outras obras relevantes e a corrente teórica em que se situa. Isso não é enfeite. Situar o autor prepara a avaliação que virá depois, porque explica de onde ele fala. Cerca de dez por cento do texto.

Apresentação do conteúdo

A síntese da obra: tese central, como o argumento se organiza, quais são as partes principais e que método o autor usa. Cerca de quarenta por cento do texto. Evite descrever capítulo por capítulo em sequência, o que produz um índice comentado em vez de uma síntese. Organize por ideias, não por sumário.

Avaliação crítica

O núcleo da resenha, com cerca de quarenta por cento do texto. Aqui você avalia, e cada avaliação precisa de fundamento. Aponte a contribuição da obra, a solidez da argumentação, a adequação do método, a atualidade dos dados e as lacunas. Compare com outros autores quando puder, porque comparação é a forma mais forte de fundamentar juízo.

Recomendação final

Um parágrafo dizendo para quem a obra é útil e em que situação. Cerca de dez por cento. Recomendação vaga do tipo é uma leitura interessante não acrescenta nada; prefira indicar público e uso, como estudantes iniciantes de determinada área ou pesquisadores que trabalham com certo problema.

Como escrever a parte crítica sem parecer arrogante

Muito aluno trava aqui, e o motivo é compreensível: parece presunçoso criticar um autor consagrado. A saída não é evitar a crítica, é fundamentá-la. Existem quatro caminhos que funcionam mesmo para quem está começando.

Evite dois extremos. O elogio integral, em que tudo é brilhante e nada é questionado, sinaliza leitura superficial. A demolição gratuita, em que o texto é ruim sem que se diga por quê, sinaliza a mesma coisa. Crítica boa é específica: aponta a página, o argumento e o motivo.

Livro fechado com marcador e etiqueta de identificação
A referência completa da obra abre a resenha e identifica a edição comentada.

Como referenciar a obra resenhada

A entrada segue o padrão de referências, com sobrenome do autor em maiúsculas, prenome, título em destaque, subtítulo sem destaque, edição a partir da segunda, local, editora e ano. Quando você citar trechos ao longo do texto, use o sistema autor e data com a página, e mantenha o mesmo sistema do começo ao fim.

Um detalhe que gera correção: como a obra resenhada é o objeto do trabalho, ela precisa aparecer tanto no topo quanto na lista de referências, se houver lista. E se você citar outros autores na parte crítica, todos eles entram nessa lista. Os padrões completos estão no nosso guia de referências ABNT e no material sobre citações ABNT.

Roteiro de leitura antes de escrever

Resenha boa se decide na leitura, não na escrita. Quem lê sem método acaba com trinta páginas de trechos copiados e nenhuma ideia sobre o que dizer. Um roteiro simples resolve, e leva menos tempo do que reler o livro inteiro depois.

  1. Antes de abrir o texto, leia sumário, prefácio e orelha. Isso já revela a tese e a organização.
  2. Na primeira leitura, marque apenas duas coisas: onde o autor enuncia a tese e onde apresenta as evidências principais.
  3. Ao final de cada capítulo, escreva uma frase sua respondendo o que este capítulo defende. Uma frase, não um parágrafo.
  4. Anote separadamente os pontos em que você discordou, estranhou ou sentiu falta de algo. Essa lista vira a parte crítica.
  5. Ao fim, tente enunciar a tese do livro inteiro em uma frase. Se não conseguir, releia a introdução e a conclusão.

Com esse material em mãos, a escrita leva algumas horas em vez de dias, porque você já tem síntese e avaliação separadas. O erro contrário, que é começar a escrever com o livro aberto ao lado, quase sempre produz paráfrase sequencial.

Modelo comentado: como fica na prática

Ver a diferença entre uma frase fraca e uma forte ajuda mais do que qualquer regra. Os pares abaixo tratam do mesmo ponto de uma resenha imaginária.

Fraco: o livro é muito bom e traz informações importantes sobre o tema.

Não diz nada. Bom em quê, importante para quem, comparado a o quê? Uma frase assim pode ser colada em qualquer resenha de qualquer obra.

Forte: a principal contribuição da obra está em reunir, em um único volume, dados que até então estavam dispersos em relatórios setoriais, o que a torna útil como ponto de partida para quem inicia pesquisa na área.

Agora existe uma afirmação específica, um motivo e um público. O mesmo vale para a crítica negativa. Dizer que a obra é datada não sustenta nada; dizer que os dados apresentados vão até determinado período e que transformações posteriores no setor não são consideradas, o que limita a aplicação das conclusões ao cenário atual, é crítica fundamentada.

Uma dica de redação: sempre que escrever um adjetivo avaliativo, pergunte-se por quê e responda na mesma frase ou na seguinte. Se não houver resposta, o adjetivo sai.

Resenha acadêmica e resenha de jornal não são iguais

Confusão comum em quem se inspira em resenhas de cadernos culturais. A resenha jornalística busca o leitor comum, admite ironia, opinião pessoal explícita e estilo mais livre, e frequentemente evita entregar demais do conteúdo. A acadêmica busca o leitor especializado, exige fundamentação em cada juízo, apresenta o conteúdo com clareza e situa a obra no debate da área.

Isso não significa que o texto acadêmico precise ser sem graça. Clareza, ritmo e boas transições valem em qualquer gênero. O que muda é a exigência de sustentação: na resenha acadêmica, toda afirmação avaliativa precisa se apoiar em algo verificável no próprio texto resenhado ou na literatura da área.

Erros que mais aparecem

Prancheta com itens marcados com visto e com X
Uma conferência rápida antes de entregar evita as perdas de ponto mais comuns.

Checklist antes de entregar

Como situar a obra no debate da área

Esse é o movimento que separa a resenha de graduação da resenha que parece profissional, e ele custa pouco esforço. Situar significa responder a uma pergunta: onde este livro se coloca em relação ao que já se escreveu sobre o assunto?

Não é preciso dominar o campo inteiro. Basta localizar duas ou três referências que o próprio autor cita com frequência e verificar se ele concorda, discorda ou amplia. Se a obra dialoga com uma corrente específica, diga isso. Se ela responde a uma crítica que outro autor havia feito, mencione. Uma frase como o argumento se apoia na tradição que trata determinado fenômeno como processo, e não como evento isolado, já demonstra leitura situada.

Onde encontrar esse material sem ler mais cinco livros: a introdução costuma anunciar com quem o autor está conversando, e as notas de rodapé revelam as filiações teóricas. Vinte minutos folheando esses dois elementos rendem o parágrafo de contextualização inteiro.

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Perguntas frequentes

Existe uma NBR específica para resenha?

Não. Aplicam-se as normas gerais de apresentação de trabalhos acadêmicos, de citação e de referência. A estrutura da resenha vem da tradição acadêmica e das instruções do professor, não de uma norma técnica própria.

Quantas páginas deve ter?

Entre duas e cinco páginas na maioria das disciplinas. Resenhas publicadas em periódicos costumam ficar entre três e seis. Se o professor não especificou, três páginas bem escritas é uma escolha segura.

Precisa de capa e sumário?

Normalmente não. Por ser texto curto, a resenha costuma dispensar elementos pré-textuais. Quando o professor pede capa, ela segue o mesmo padrão dos demais trabalhos do curso.

Posso escrever em primeira pessoa?

Depende da orientação recebida. A resenha admite mais presença do resenhista do que outros gêneros acadêmicos, mas o uso excessivo enfraquece o texto. O juízo precisa vir de argumento, e não de preferência declarada.

Dá para resenhar um artigo ou um filme?

Sim. A estrutura é a mesma, mudando apenas o formato da referência da obra. Em resenha de filme ou de obra audiovisual, a apresentação do conteúdo costuma ser mais breve e a análise ganha espaço.

Preciso ler a obra inteira?

Sim. Resenha feita a partir de resumos de terceiros produz erros que quem conhece o texto identifica na primeira página, e costuma reproduzir interpretações equivocadas que circulam na internet.

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