Como Fazer um Relatório de Estágio em Pedagogia: Guia Prático + Modelo ABNT [2026]

Você está no estágio supervisionado de Pedagogia e precisa entregar um relatório, mas tem dúvidas sobre a estrutura correta, as normas ABNT e como não deixar nada faltando? Essa insegurança é completamente normal — relatório de estágio é um dos trabalhos mais importantes da graduação em Pedagogia, e exige atenção a detalhes que vão muito além de apenas descrever o que você vivenciou em sala de aula.

A boa notícia é que existe uma estrutura clara, comprovada e fácil de seguir. Este guia detalha cada seção do seu relatório, oferece exemplos práticos inspiradores, mostra as normas ABNT de forma acessível e inclui um checklist com 20+ itens para você verificar se tudo está perfeito antes de entregar.

Ao final deste artigo, você terá confiança para começar a escrever — ou saberá exatamente o que fazer se precisar de ajuda profissional.

Infográfico mostrando a estrutura completa de um relatório de estágio supervisionado em Pedagogia, com todas as seções em ordem (capa, folha de rosto, resumo, introdução, fundamentação teórica, descrição da experiência, análise crítica, conclusão, referências, apêndices). Design limpo, cores profissionais, fácil de ler.

O que é um Relatório de Estágio em Pedagogia?

Um relatório de estágio supervisionado é um documento acadêmico que registra, descreve e analisa sua experiência prática durante o período de estágio obrigatório na graduação em Pedagogia. Não é apenas um diário do que você fez — é um trabalho reflexivo e crítico que conecta teoria (o que você aprendeu em sala de aula) com prática (o que você observou e vivenciou em uma escola real).

Por que é importante?

O relatório de estágio é importante porque:

Estágio Supervisionado vs. Não Supervisionado

Essa é uma dúvida frequente. Vamos esclarecer:

Aspecto Estágio Supervisionado Estágio Não Supervisionado
Orientação Orientador designado acompanha e revisa o trabalho Acompanhamento menos formal
Relatório Obrigatório, com estrutura rigorosa e normas ABNT Mais flexível ou opcional
Carga horária Geralmente 100-200 horas em instituição educacional Varia conforme instituição
Foco Observação, análise crítica e reflexão pedagógica Pode incluir atividades práticas diretas
Avaliação Rigorosa, com critérios claros Critérios podem variar

Para este guia, focamos no estágio supervisionado, que é o mais comum em Pedagogia e exige relatório estruturado conforme normas ABNT.


Estrutura Completa do Relatório: Seção por Seção

Antes de começar a escrever, você precisa entender a ordem correta das seções. Cada uma tem um propósito específico e segue normas ABNT rigorosas.

Diagrama visual mostrando a sequência das seções do relatório (capa → folha de rosto → resumo → introdução → fundamentação teórica → descrição da experiência → análise crítica → conclusão → referências → apêndices). Use setas para indicar fluxo, cores para diferenciar seções pré-textuais, textuais e pós-textuais.

Seções Pré-Textuais (antes do conteúdo principal)

Capa: Página inicial com nome da instituição, nome do aluno, título do relatório, local e ano. Sem número de página.

Folha de Rosto: Repetição da capa com informações adicionais (nome do orientador, natureza do trabalho). Página 1 (não numerada, mas conta na contagem).

Resumo: Síntese do relatório em 150-250 palavras. Deve responder: o quê (tema), onde (instituição), quando (período), por quê (objetivo) e principais conclusões.

Sumário: Lista de todas as seções com números de página. Gerado automaticamente em Word ou Google Docs.

Seções Textuais (conteúdo principal)

Introdução: Contextualiza o estágio (instituição, turma, período), apresenta objetivo geral e estrutura do relatório. Máximo 2-3 páginas.

Fundamentação Teórica: Apresenta conceitos pedagógicos que fundamentam sua análise (teorias de aprendizagem, metodologias, políticas educacionais). Conecta teoria com o que você observou. Mínimo 3-4 páginas.

Descrição da Experiência: Narra o que você observou e vivenciou de forma organizada (por tema, cronológica ou por turma). Inclui características da instituição, perfil da turma, metodologias observadas, rotina escolar. Máximo 4-5 páginas.

Análise Crítica: A seção mais importante. Você analisa o que observou à luz da teoria, questiona práticas, propõe melhorias, reflete sobre sua aprendizagem. Não é apenas descrição — é interpretação. Mínimo 4-5 páginas.

Conclusão: Resume principais aprendizados, responde ao objetivo geral, reflete sobre sua formação como pedagogo. Máximo 2-3 páginas.

Seções Pós-Textuais (depois do conteúdo)

Referências: Lista de todas as fontes citadas (livros, artigos, sites) em ordem alfabética, conforme NBR 6023. Mínimo 5-8 referências.

Apêndices (opcional): Documentos criados por você (questionários, roteiros de observação, fotos, autorização da instituição).

Anexos (opcional): Documentos da instituição (projeto pedagógico, regimento, materiais fornecidos).


Normas ABNT Essenciais para Seu Relatório

As normas ABNT garantem que seu relatório tenha aparência profissional e seja reconhecido academicamente. Aqui estão os detalhes práticos que você realmente precisa:

Tabela visual mostrando as principais normas ABNT aplicadas a um exemplo de página (margens destacadas, fonte indicada, espaçamento marcado). Foto de uma página real de relatório bem formatado.
Elemento Norma ABNT Aplicação Prática
Papel NBR 14724 A4 (210 x 297 mm), branco, frente e verso
Margens NBR 14724 Superior e esquerda: 3 cm; Inferior e direita: 2 cm
Fonte NBR 14724 Arial ou Times New Roman, tamanho 12
Espaçamento NBR 14724 1,5 entre linhas no corpo do texto; simples em citações longas e referências
Parágrafos NBR 14724 Recuo de 1,25 cm na primeira linha
Citações diretas NBR 10520 Entre aspas, com autor, ano e página. Ex: “texto” (AUTOR, ano, p. XX)
Citações indiretas NBR 10520 Sem aspas, com autor e ano. Ex: Segundo Autor (ano), texto.
Referências NBR 6023 Ordem alfabética, com recuo especial (primeira linha sem recuo, demais com 1,25 cm)
Numeração de páginas NBR 14724 A partir da folha de rosto (não numerada), no canto superior direito
Títulos e subtítulos NBR 14724 Sem ponto final; alinhados à esquerda; maiúsculas apenas na primeira letra

Dica prática: Use templates

Não precisa formatar tudo manualmente. Use:
Word: Modelos prontos de ABNT (baixe templates gratuitos)
Google Docs: Extensões como “Documentos ABNT” formatam automaticamente
Overleaf: Para quem prefere LaTeX

Veja o nosso guia completo sobre formatação: Formatação ABNT: Guia Completo e Atualizado [2026] para Trabalhos Acadêmicos


Exemplos Práticos: Como Escrever Cada Seção

Teoria é importante, mas exemplo prático é ouro. Vamos mostrar como cada seção deve soar, com análise do que funciona.

Exemplo 1: Introdução Bem Feita

O presente relatório documenta minha experiência de estágio supervisionado realizado na Escola Municipal “Crescimento”, localizada no bairro de Vila Nova, São Paulo, durante o período de agosto a dezembro de 2025. O estágio foi realizado em uma turma de 3º ano do Ensino Fundamental I, composta por 28 alunos com idades entre 8 e 9 anos, sob a orientação da professora titular Mariana Silva e supervisão da Profa. Dra. Carla Mendes, orientadora designada pela universidade.

O objetivo geral deste relatório é analisar as práticas pedagógicas observadas à luz das teorias de aprendizagem significativa e inclusão educacional, refletindo sobre como a instituição implementa políticas de educação inclusiva e diferenciação curricular. Como objetivos específicos, buscamos: (1) descrever a rotina e metodologias utilizadas em sala de aula; (2) analisar criticamente as estratégias de inclusão de alunos com deficiência; (3) refletir sobre a formação docente necessária para práticas inclusivas; (4) propor melhorias baseadas em fundamentação teórica.

Este relatório está estruturado em cinco seções principais: fundamentação teórica, descrição da experiência, análise crítica, conclusão e referências.

O que funciona aqui:
– ✅ Contextualiza (instituição, turma, período)
– ✅ Apresenta objetivo geral claro
– ✅ Lista objetivos específicos (mostra rigor)
– ✅ Anuncia estrutura (leitor sabe o que esperar)
– ✅ Usa linguagem formal, mas acessível

Exemplo 2: Fundamentação Teórica Bem Feita

A aprendizagem significativa, conceituada por David Ausubel (1968), refere-se ao processo pelo qual o aprendiz integra novas informações a estruturas cognitivas já existentes. Segundo Ausubel (1968, p. 37), “o fator isolado mais importante influenciando o aprendizado é aquilo que o aprendiz já conhece”. Na prática pedagógica observada na Escola Municipal “Crescimento”, essa teoria se materializa quando a professora Mariana inicia as aulas perguntando aos alunos o que já sabem sobre o tema. Por exemplo, antes de ensinar sobre “ciclo da água”, ela pergunta: “Vocês já viram chuva? Para onde vai a água?” Essa estratégia ativa conhecimentos prévios, facilitando a integração de novos conceitos.

Além disso, a inclusão educacional, conforme preconizado pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), busca garantir acesso, permanência e aprendizagem de alunos com deficiência em classes comuns. Na turma observada, havia dois alunos com deficiência intelectual leve. A professora utilizava estratégias de diferenciação curricular, como atividades adaptadas e agrupamento flexível, alinhadas com o que propõe Tomlinson (2008) sobre ensino diferenciado.

O que funciona aqui:
– ✅ Cita autores com ano (ABNT)
– ✅ Conecta teoria com prática observada (não é apenas resumo de livro)
– ✅ Usa exemplos concretos (pergunta sobre chuva)
– ✅ Menciona documentos oficiais (BRASIL, 2008)
– ✅ Mostra que você entendeu a teoria, não apenas copiou

Exemplo 3: Descrição da Experiência Bem Feita

A Escola Municipal “Crescimento” atende 450 alunos do 1º ao 5º ano, localizada em região periférica com alto índice de vulnerabilidade social. A infraestrutura é adequada, com 12 salas de aula, biblioteca, laboratório de informática e quadra coberta. A turma de 3º ano A, onde realizei o estágio, é composta por 28 alunos, sendo 14 meninas e 14 meninos, com idades entre 8 e 9 anos. Dois alunos possuem diagnóstico de deficiência intelectual leve (alunos A e B, nomes preservados por confidencialidade), e três alunos apresentam dificuldades de aprendizagem em leitura e escrita.

A rotina diária segue este padrão: chegada e acolhimento (8h-8h15), roda de conversa (8h15-8h30), aula de português (8h30-9h30), intervalo (9h30-9h50), aula de matemática (9h50-10h50), atividades diversas/educação física (10h50-11h30), almoço (11h30-12h). A professora Mariana utiliza metodologia baseada em projetos temáticos. Durante meu período de estágio, acompanhei o projeto “Água: Recurso Precioso”, que integrava português, matemática, ciências e artes.

O que funciona aqui:
– ✅ Descreve instituição (infraestrutura, localização)
– ✅ Caracteriza turma (número, idade, composição)
– ✅ Menciona alunos com deficiência de forma respeitosa (preserva identidade)
– ✅ Detalha rotina (horários, atividades)
– ✅ Menciona metodologia (projetos temáticos)
– ✅ Não é apenas narrativa — é informação estruturada

Exemplo 4: Análise Crítica Bem Feita

A estratégia de aprendizagem por projetos temáticos observada na turma de 3º ano A alinha-se com o que propõe Hernández (1998) sobre pedagogia de projetos, que enfatiza a integração curricular e o protagonismo do aluno. No projeto “Água: Recurso Precioso”, os alunos não apenas aprenderam sobre ciclo da água (conteúdo de ciências), mas também escreveram textos informativos (português), calcularam consumo de água em casa (matemática) e criaram cartazes (artes). Essa integração é positiva porque aumenta significado e motivação.

Porém, observei uma limitação: a diferenciação curricular para alunos com deficiência intelectual foi insuficiente. Os alunos A e B recebiam as mesmas atividades, apenas com “simplificação” (menos questões, textos menores), sem adaptação metodológica real. Segundo Tomlinson (2008), diferenciação não é apenas reduzir quantidade, mas adaptar processo, conteúdo e produto conforme necessidades. Uma estratégia mais inclusiva seria, por exemplo, usar imagens para alunos com dificuldade de leitura, ou criar atividades com manipulação de objetos para aprendizagem mais concreta.

Essa observação me fez refletir sobre a formação docente. A professora Mariana é dedicada e usa boas práticas, mas não possui formação específica em educação inclusiva. Isso é comum em escolas públicas, onde professores recebem alunos com deficiência sem suporte adequado. Sugiro que a escola invista em formação continuada sobre diferenciação curricular e educação inclusiva.

O que funciona aqui:
– ✅ Analisa (não apenas descreve)
– ✅ Cita teoria para fundamentar crítica
– ✅ Identifica pontos positivos E limitações (não é só reclamação)
– ✅ Propõe melhorias baseadas em teoria
– ✅ Reflete sobre formação docente (mostra pensamento crítico)
– ✅ Usa primeira pessoa reflexiva (apropriado em análise crítica)

Exemplo 5: Conclusão Bem Feita

Este estágio foi fundamental para minha formação como pedagoga. Confirmou que a educação é um ato político e complexo, que exige não apenas conhecimento de conteúdo, mas também sensibilidade, criatividade e compromisso com a inclusão. A experiência na Escola Municipal “Crescimento” mostrou que práticas pedagógicas inovadoras (como aprendizagem por projetos) são possíveis mesmo em contextos de vulnerabilidade social, desde que haja dedicação docente.

Porém, também evidenciou desafios estruturais: falta de formação em inclusão, recursos limitados, turmas grandes. Esses desafios não são culpa individual dos professores, mas reflexo de políticas educacionais insuficientes. Como futura pedagoga, comprometo-me a contribuir para mudanças, seja em sala de aula, seja em espaços de gestão educacional.

Os aprendizados principais foram: (1) a importância de conhecer cada aluno individualmente; (2) a necessidade de diferenciação curricular como direito, não privilégio; (3) a relevância de integração curricular para aprendizagem significativa; (4) a urgência de formação continuada docente. Esses aprendizados guiarão minha prática profissional futura.

O que funciona aqui:
– ✅ Resume aprendizados principais
– ✅ Reflete sobre formação pessoal
– ✅ Reconhece desafios estruturais (não culpa apenas professores)
– ✅ Propõe compromisso futuro (mostra maturidade)
– ✅ Lista aprendizados de forma clara (numeração)
– ✅ Fecha com perspectiva de ação

Comparação lado a lado de dois trechos de análise crítica — um superficial (apenas descrição) e outro profundo (com análise, citação teórica e proposta de melhoria). Use cores para destacar diferenças.

Erros Comuns em Relatórios de Estágio (e Como Evitá-los)

Orientadores veem centenas de relatórios. Aqui estão os erros mais frequentes — e como evitá-los:

Erro 1: Falta de Análise Crítica (Apenas Descrição)

O problema:
Muitos relatórios são apenas narrativas: “Cheguei na escola, assisti aula, a professora ensinou sobre frações, os alunos fizeram exercícios, saí.” Isso não é análise — é diário.

Como evitar:
Sempre responda: “Por quê?” e “E daí?” Após descrever uma prática, questione-a.

❌ Errado: “A professora usava muitos exercícios repetitivos de cálculo.”

✅ Correto: “A professora usava muitos exercícios repetitivos de cálculo. Essa estratégia, embora tradicional, pode desenvolver automatismo, mas segundo Freire (1996), educação libertadora exige reflexão crítica. Uma abordagem mais significativa seria conectar cálculo a contextos reais (compras, medidas), como propõe a Etnomatemática.”

Erro 2: Uso Excessivo de Primeira Pessoa

O problema:
“Eu observei, eu achei, eu pensei, eu senti…” Relatório acadêmico não é diário pessoal. Excesso de primeira pessoa soa infantil.

Como evitar:
Use primeira pessoa apenas quando apropriado (reflexão pessoal, aprendizado). Prefira construções mais formais:

❌ Errado: “Eu achei muito interessante como a professora fazia as crianças aprenderem.”

✅ Correto: “Observou-se que a metodologia utilizada pela professora promovia engajamento dos alunos. Essa estratégia alinha-se com o que propõe Csikszentmihalyi (1990) sobre fluxo (flow) na aprendizagem.”

✅ Também aceitável: “Durante o estágio, pude observar que…” ou “Meu aprendizado principal foi…”

Erro 3: Citações Incorretas ou Falta de Citação

O problema:
Copiar ideias de autores sem citar (plágio), ou citar de forma errada (sem ano, sem página, sem referência).

Como evitar:
Sempre cite quando usar ideias de outros. Formato ABNT:

❌ Errado: “A aprendizagem significativa é importante para educação.” (sem citar Ausubel)

✅ Correto: “Segundo Ausubel (1968), a aprendizagem significativa ocorre quando novas informações se integram a estruturas cognitivas existentes.”

✅ Citação direta: “A aprendizagem significativa é ‘aquela em que o aprendiz integra novas informações a estruturas cognitivas já existentes'” (AUSUBEL, 1968, p. 37).

Dica: Use gerenciadores de referências (Mendeley, Zotero) para não errar.

Erro 4: Fundamentação Teórica Fraca ou Ausente

O problema:
Relatório sem conexão com teoria. Você descreve, mas não fundamenta em autores, documentos oficiais ou conceitos pedagógicos.

Como evitar:
Dedique seção específica à fundamentação teórica (3-4 páginas). Escolha 3-4 conceitos-chave e aprofunde.

✅ Bom: Escolha “aprendizagem significativa”, “inclusão educacional” e “diferenciação curricular” como eixos teóricos. Desenvolva cada um com autores e exemplos.

❌ Ruim: Mencionar 10 autores diferentes sem profundidade, ou nenhum autor.

Erro 5: Conclusão Superficial ou Ausente

O problema:
Conclusão que apenas resume o que foi dito, sem reflexão ou proposta. Ou pior: relatório que termina abruptamente.

Como evitar:
Conclusão deve responder: “O que aprendi?”, “Como isso muda minha visão de educação?”, “O que vou fazer com isso?”

❌ Errado: “Neste relatório, descrevi meu estágio na Escola X. Observei várias práticas pedagógicas. Fim.”

✅ Correto: “Este estágio consolidou minha convicção de que educação é ato político. Aprendi que inclusão não é caridade, mas direito. Como futura pedagoga, comprometo-me a contribuir para mudanças, seja em sala de aula, seja em espaços de gestão educacional.”

Erro 6: Estrutura Confusa ou Fora de Ordem

O problema:
Seções fora de ordem, falta de sumário, títulos inconsistentes, numeração de páginas errada.

Como evitar:
Siga a estrutura rigorosamente:
1. Capa (sem número)
2. Folha de rosto (sem número, mas conta como página 1)
3. Resumo (página 2)
4. Sumário (página 3)
5. Introdução (página 4 em diante)
6. Fundamentação teórica
7. Descrição da experiência
8. Análise crítica
9. Conclusão
10. Referências
11. Apêndices (se houver)

Use sumário automático (Word/Google Docs) para evitar erros.


Checklist Final: Sua Garantia de Qualidade

Antes de entregar seu relatório, use este checklist. Se marcar “não” em algum item, volte e corrija.

✅ Estrutura

✅ Conteúdo

✅ ABNT

✅ Formatação

✅ Entrega

Checklist visual em formato de infográfico com caixas de seleção, dividido em categorias (Estrutura, Conteúdo, ABNT, Formatação, Entrega). Design amigável, cores que remetem a "pronto para usar".

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Qual é a diferença entre relatório de estágio supervisionado e não supervisionado?

Resposta:

O estágio supervisionado é obrigatório, tem orientador designado pela universidade, exige relatório estruturado conforme normas ABNT rigorosas, e é avaliado formalmente. Geralmente tem carga horária maior (100-200 horas) e foco em observação e análise crítica.

O estágio não supervisionado (ou optativo) pode ter menos acompanhamento formal, relatório mais flexível, e às vezes permite atividades práticas diretas além de observação. A avaliação pode ser menos rigorosa.

Resumindo: Supervisionado = mais formal, mais rigoroso, mais importante para sua nota.


2. Quantas páginas deve ter um relatório de estágio supervisionado em Pedagogia?

Resposta:

Não há número exato, mas a recomendação geral é:

Distribuição sugerida:
– Introdução: 2-3 páginas
– Fundamentação teórica: 4-5 páginas
– Descrição da experiência: 4-5 páginas
– Análise crítica: 5-7 páginas
– Conclusão: 2-3 páginas
– Referências: 1-2 páginas

Dica: Qualidade > quantidade. Um relatório de 20 páginas bem escrito é melhor que 50 páginas com conteúdo vazio.


3. Como estruturar a análise crítica no relatório de estágio?

Resposta:

Análise crítica é a seção mais importante. Aqui está a estrutura:

  1. Retome a prática observada (1-2 parágrafos): Descreva brevemente o que você viu.

  2. Conecte com teoria (2-3 parágrafos): Cite autores e conceitos que explicam ou questionam essa prática.

  3. Analise pontos positivos (1-2 parágrafos): O que funcionou bem? Por quê? Como se conecta com teoria?

  4. Identifique limitações (1-2 parágrafos): O que poderia melhorar? Qual é a lacuna entre prática e teoria?

  5. Proponha alternativas (1-2 parágrafos): Como seria uma prática mais alinhada com teoria? Que mudanças você sugere?

  6. Reflita sobre sua aprendizagem (1 parágrafo): Como essa observação mudou sua visão de educação?

Exemplo de estrutura:

Prática observada: A professora usava apenas aulas expositivas.

Teoria: Segundo Freire (1996), educação libertadora exige diálogo, não transmissão passiva.

Ponto positivo: A professora dominava bem o conteúdo, o que é importante.

Limitação: Alunos eram passivos, sem oportunidade de questionar ou construir conhecimento.

Alternativa: Usar metodologia de projetos ou discussão em pequenos grupos.

Reflexão: Aprendi que conhecimento de conteúdo não é suficiente; preciso de metodologia que engaje alunos.


4. Posso usar primeira pessoa no relatório de estágio supervisionado?

Resposta:

Sim, mas com cuidado.

Primeira pessoa é apropriada em:
– ✅ Seção de análise crítica (reflexão pessoal)
– ✅ Conclusão (aprendizados pessoais)
– ✅ Descrição de experiências que você vivenciou

Primeira pessoa é inapropriada em:
– ❌ Fundamentação teórica (deve ser impessoal)
– ❌ Descrição de fatos da instituição (use “observou-se”, “constatou-se”)
– ❌ Excesso (não escreva “eu” em cada frase)

Exemplos:

❌ Errado: “Eu observei que a professora usava muitos exercícios. Eu achei interessante. Eu pensei que era bom.”

✅ Correto: “Observou-se que a professora utilizava exercícios repetitivos. Essa estratégia, embora tradicional, pode desenvolver automatismo. Meu aprendizado foi reconhecer que metodologia deve equilibrar prática e reflexão.”


5. Quais são as principais normas ABNT para relatório de estágio supervisionado?

Resposta:

As três normas principais são:

  1. NBR 14724 — Informação e documentação: Trabalhos acadêmicos — Apresentação
  2. Define: estrutura, formatação, margens, fontes, espaçamento, numeração

  3. NBR 6023 — Informação e documentação: Referências — Elaboração

  4. Define: como listar referências em ordem alfabética, formato de livros, artigos, sites

  5. NBR 10520 — Informação e documentação: Citações em documentos — Apresentação

  6. Define: como citar (direto e indireto), formato de nota de rodapé, padrão de citação

Resumo prático:

Elemento Norma Regra
Papel NBR 14724 A4, branco, frente e verso
Margens NBR 14724 Superior/esquerda 3 cm; inferior/direita 2 cm
Fonte NBR 14724 Arial ou Times New Roman, 12
Espaçamento NBR 14724 1,5 entre linhas
Citação direta NBR 10520 “texto” (AUTOR, ano, p. XX)
Citação indireta NBR 10520 Segundo Autor (ano), texto.
Referência NBR 6023 AUTOR. Título. Editora, ano.

Dica: Baixe as normas do site da ABNT ou use templates prontos em Word/Google Docs.


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Conclusão

Fazer um relatório de estágio supervisionado em Pedagogia é uma oportunidade, não um fardo. É chance de refletir sobre educação, conectar teoria com prática, e consolidar sua identidade como pedagogo.

Resumindo o que você aprendeu:

  1. Estrutura: Capa → Folha de rosto → Resumo → Introdução → Fundamentação → Descrição → Análise crítica → Conclusão → Referências
  2. ABNT: Margens 3/2 cm, fonte 12, espaçamento 1,5, citações com autor/ano/página
  3. Análise crítica: Não é descrição — é interpretação, questionamento, proposta de melhoria
  4. Exemplos práticos: Use os modelos deste guia como inspiração
  5. Checklist: Verifique tudo antes de entregar

Agora é com você. Escolha um tema que te apaixone, observe com olhos críticos, conecte com teoria, escreva com clareza. Seu relatório será excelente.


Referências Bibliográficas

AUSUBEL, D. P. Educational psychology: a cognitive view. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1968.

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC, 2008.

CSIKSZENTMIHALYI, M. Flow: the psychology of optimal experience. New York: Harper & Row, 1990.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.

TOMLINSON, C. A. Diferenciação pedagógica e diversidade: ensino de alunos em turmas heterogêneas. Porto Alegre: Artmed, 2008.

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