
Procurar tipos de pesquisa costuma render listas enormes e contraditórias, com dez, quinze, vinte nomes soltos. A confusão tem uma causa simples: essas listas misturam classificações que pertencem a eixos diferentes. Pesquisa qualitativa e pesquisa bibliográfica não são alternativas uma da outra, elas respondem a perguntas distintas sobre o mesmo trabalho.
Quando você entende que existem quatro eixos independentes, a bagunça vira uma tabela de quatro linhas. A sua pesquisa recebe uma etiqueta em cada eixo, e o capítulo de metodologia praticamente se escreve sozinho.
Tipos de pesquisa: os quatro eixos de classificação
Toda pesquisa é classificada quanto à natureza, à abordagem, aos objetivos e aos procedimentos. São perguntas diferentes, e você responde a todas.
- Natureza: para que serve o conhecimento produzido?
- Abordagem: os dados são números ou significados?
- Objetivos: qual o nível de profundidade pretendido?
- Procedimentos: como os dados serão obtidos?
A frase que reúne as quatro respostas é o coração da metodologia: trata-se de pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, com objetivo descritivo, realizada por meio de estudo de caso. Cada uma das quatro etiquetas precisa depois aparecer justificada.
Tipos de pesquisa quanto à natureza: básica ou aplicada
Pesquisa básica, também chamada de pura ou fundamental, busca ampliar o conhecimento sem preocupação com aplicação imediata. Ela alimenta o estoque teórico da área e costuma aparecer em teses e em programas de pós-graduação stricto sensu.
Pesquisa aplicada parte de um problema concreto e pretende gerar solução ou orientação prática. A maior parte dos TCCs de graduação se encaixa aqui, porque nasce de uma inquietação vivida em estágio, no trabalho ou na comunidade.
A escolha não hierarquiza qualidade. Pesquisa aplicada bem feita exige tanto rigor quanto a básica, e a distinção serve para situar a contribuição pretendida, não para medir mérito.
Tipos de pesquisa quanto à abordagem: qualitativa, quantitativa ou mista
Este eixo responde a que tipo de dado você vai produzir e como vai analisá-lo.
- Qualitativa: trabalha com significados, percepções e processos. Dados em forma de texto, amostra por saturação, análise interpretativa. Detalhamos em pesquisa qualitativa.
- Quantitativa: trabalha com medição, comparação e teste de hipóteses. Dados numéricos, amostra calculada, análise estatística. O passo a passo está em pesquisa quantitativa.
- Mista: combina as duas, geralmente aplicando questionário para mapear e entrevistas para aprofundar. Exige competência nas duas lógicas e mais tempo de execução.
O critério de escolha é a pergunta de pesquisa, não a sua afinidade com números. Se a formulação natural da sua pergunta usa como e por quê, o caminho é qualitativo. Se usa quanto, com que frequência ou existe relação entre, o caminho é quantitativo.

Tipos de pesquisa quanto aos objetivos: exploratória, descritiva ou explicativa
Este eixo indica a profundidade que o seu trabalho pretende alcançar, e ele depende diretamente de quanto já existe publicado sobre o tema.
- Exploratória: usada quando o tema é pouco estudado e você ainda está mapeando o terreno. Costuma envolver revisão bibliográfica ampla, entrevistas com especialistas e estudos de caso preliminares. Não pretende conclusões definitivas, pretende formular boas perguntas. Mais detalhes em pesquisa exploratória.
- Descritiva: caracteriza um fenômeno, uma população ou uma relação, sem se comprometer com explicação causal. É de longe a mais comum em TCC de graduação. Levantamentos, estudos de perfil e caracterizações de processo entram aqui.
- Explicativa: busca identificar fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência do fenômeno. Exige delineamento mais robusto, geralmente experimental, e é a mais exigente das três.
Um alerta que evita constrangimento na banca: chamar de explicativa uma pesquisa que apenas descreve. Se o seu desenho não permite isolar causa, a etiqueta correta é descritiva, e não há demérito nisso.

Tipos de pesquisa quanto aos procedimentos: como os dados chegam
Este é o eixo mais extenso, e é dele que vêm quase todos os nomes que aparecem nas listas confusas. Ele responde por qual caminho os dados serão obtidos.
- Bibliográfica: apoia-se em material já publicado, como livros e artigos. Toda pesquisa tem uma parte bibliográfica, mas ela pode ser o procedimento principal.
- Documental: usa fontes que não receberam tratamento analítico, como atas, relatórios internos, prontuários, leis e reportagens. A diferença para a bibliográfica está na natureza da fonte.
- Levantamento: interroga diretamente um conjunto de pessoas sobre o que se quer conhecer, geralmente por questionário.
- Estudo de caso: investiga em profundidade um ou poucos casos dentro do contexto real. Detalhado em estudo de caso.
- Experimental: manipula uma variável independente e observa o efeito sobre a dependente, com grupo de controle. Ver pesquisa experimental.
- Ex post facto: estuda relações entre variáveis quando o fato já ocorreu e não pode ser manipulado.
- Pesquisa-ação: pesquisador e participantes agem juntos para resolver um problema, em ciclos de planejamento e reflexão.
- Pesquisa participante: o pesquisador se insere no grupo estudado, compartilhando o cotidiano.
- Etnográfica: descrição densa de uma cultura, com imersão prolongada no campo.
- Revisão sistemática: reúne e avalia criticamente a produção existente sobre uma pergunta, com protocolo declarado.
Nada impede combinar procedimentos. Um trabalho pode fazer revisão bibliográfica para montar o referencial, análise documental para caracterizar a instituição e levantamento para ouvir os participantes. Declare todos e explique a função de cada um.
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Como escolher: da pergunta para as quatro etiquetas
A ordem correta é sempre a mesma, e inverter é o que gera trabalho refeito.
- 1. Escreva a pergunta em uma frase, com ponto de interrogação.
- 2. Olhe o verbo. Compreender, descrever e explorar puxam qualitativa. Medir, comparar e testar puxam quantitativa.
- 3. Verifique o que já existe. Muita literatura permite ir para descritiva ou explicativa. Pouca literatura indica exploratória.
- 4. Pergunte onde estão os dados. Em pessoas, use levantamento ou entrevistas. Em documentos, análise documental. Em uma organização específica, estudo de caso. Em publicações, revisão.
- 5. Confira a viabilidade. Prazo, acesso ao campo e exigência de comitê de ética podem inviabilizar o desenho ideal.
Quem inverte a ordem, escolhendo primeiro o procedimento porque acha mais fácil, acaba com uma pergunta que o método escolhido não responde. É o erro mais caro do projeto inteiro.
Exemplos completos de tipos de pesquisa classificados
Ver a classificação aplicada a casos concretos resolve mais que qualquer definição.
- Perfil de consumo de alunos de uma faculdade: aplicada, quantitativa, descritiva, levantamento.
- Percepção de enfermeiros sobre sobrecarga em um hospital: aplicada, qualitativa, descritiva, estudo de caso com entrevistas.
- Efeito de um novo método de ensino no desempenho de duas turmas: aplicada, quantitativa, explicativa, experimental.
- Evolução da legislação ambiental de um município em vinte anos: básica, qualitativa, descritiva, documental.
- O que a literatura publicou sobre um tema emergente nos últimos cinco anos: básica, qualitativa, exploratória, revisão sistemática.
- Implantação de um controle de estoque em uma pequena empresa junto com os funcionários: aplicada, qualitativa, descritiva, pesquisa-ação.
Repare que nenhum exemplo repete a mesma combinação. As quatro etiquetas são independentes justamente para permitir descrever desenhos muito diferentes com o mesmo vocabulário.

De onde vêm os tipos de pesquisa
As etiquetas não são invenção de professor. Elas vêm de manuais de metodologia consolidados, e é por isso que a banca cobra a citação da fonte quando você classifica a pesquisa.
Na tradição brasileira, três referências aparecem com mais frequência nos capítulos de metodologia. Antonio Carlos Gil organizou a classificação por objetivos e por procedimentos que virou padrão em boa parte dos cursos. Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos trabalham os métodos de abordagem e os procedimentos com detalhe. Sylvia Constant Vergara propõe a distinção por fins e por meios, adotada especialmente em administração.
Escolha uma dessas linhas e mantenha a coerência. Para ver as classificações aplicadas na prática, abra artigos recentes da sua área no SciELO e leia a seção de metodologia: em duas ou três leituras você percebe o padrão que o seu curso espera. O texto das normas citadas fica no site da ABNT. Misturar a nomenclatura de dois autores no mesmo parágrafo produz frases que não fecham, do tipo pesquisa descritiva quanto aos fins e bibliográfica quanto à abordagem, que troca eixos de lugar.
Vale consultar as edições mais recentes, porque as classificações recebem ajustes de uma edição para outra. E consulte também o manual do seu curso: alguns cursos adotam oficialmente um autor, e nesse caso a discussão está encerrada.
Como escrever a classificação no capítulo
Declarar as quatro etiquetas em uma frase é o começo, não o fim. Cada uma precisa de justificativa, e a justificativa é curta.
O padrão que funciona tem três frases por etiqueta: a declaração, o critério que a sustenta e a citação do autor. Um exemplo montado para a abordagem: “Adotou-se abordagem qualitativa, uma vez que o objetivo é compreender os significados atribuídos pelos participantes à experiência de acolhimento, e não mensurar sua frequência. Essa abordagem se justifica quando o interesse recai sobre processos e percepções (Minayo, 2009).”
- Declare a etiqueta com verbo no passado, porque o trabalho já foi feito.
- Explique o critério que levou à escolha, ligando à sua pergunta de pesquisa.
- Cite o autor de metodologia que sustenta a definição adotada.
- Evite copiar a justificativa de outro TCC: ela precisa descrever o seu caso.
Quatro blocos de três frases resolvem a classificação inteira em menos de uma página, sobrando espaço para o que realmente importa no capítulo, que é a descrição do campo, do instrumento e da análise. Se precisar do esqueleto completo do capítulo, ele está no guia de metodologia científica.
Confusões entre tipos de pesquisa que a banca cobra
- Qualitativa x bibliográfica: são eixos diferentes. Uma pesquisa bibliográfica pode ter abordagem qualitativa ou quantitativa.
- Estudo de caso x qualitativa: estudo de caso é procedimento. Ele admite dados quantitativos.
- Descritiva x exploratória: a diferença está no acúmulo de literatura, não no seu conhecimento pessoal sobre o tema.
- Explicativa x descritiva: explicar exige isolar causa, o que a maioria dos desenhos de TCC não permite.
- Bibliográfica x documental: a primeira usa material já analisado e publicado, a segunda usa fonte primária sem tratamento analítico.
- Revisão bibliográfica x revisão sistemática: a sistemática tem protocolo declarado, critérios de inclusão e exclusão e é replicável.
Checklist da classificação metodológica
- A pesquisa está classificada nos quatro eixos, sem confundi-los.
- Cada etiqueta aparece justificada, e não apenas declarada.
- A abordagem é coerente com o tipo de dado que será coletado.
- O objetivo declarado corresponde ao que o desenho permite alcançar.
- Os procedimentos estão nomeados com precisão, incluindo combinações.
- A classificação descreve o que você realmente fez, não o que copiou de outro trabalho.
- As escolhas estão apoiadas em autores de metodologia.
- O desenho cabe no prazo e no acesso ao campo que você tem.
Perguntas frequentes sobre tipos de pesquisa
Posso ter mais de um tipo de pesquisa no mesmo trabalho?
Nos procedimentos, sim, e é comum. Você pode fazer revisão bibliográfica, análise documental e levantamento no mesmo TCC. Nos outros três eixos, escolha uma etiqueta por eixo, com exceção da abordagem mista, que é uma categoria própria.
Qual o tipo de pesquisa mais fácil para TCC?
Pesquisa bibliográfica e documental são as mais viáveis, porque dispensam campo, comitê de ética na maior parte dos casos e negociação de acesso. Fácil não significa superficial: revisão bem feita dá trabalho e tem valor acadêmico real.
Preciso citar autores para justificar a classificação?
Sim. O capítulo de metodologia se apoia em autores da área de método, e a banca costuma perguntar de onde veio a classificação adotada. Dois ou três autores bem usados bastam.
Como sei se meu tema pede pesquisa exploratória?
Faça a busca nas bases acadêmicas com as palavras-chave do seu recorte. Se retornarem poucos trabalhos diretamente relacionados, o campo é pouco explorado e a etiqueta exploratória se justifica. Se houver produção consolidada, você pode ir para descritiva.
Pesquisa de campo é um tipo de pesquisa?
É um procedimento, caracterizado pela coleta no ambiente natural do fenômeno. Ela convive com as outras etiquetas: pode ser qualitativa ou quantitativa, descritiva ou explicativa. Veja o passo a passo em pesquisa de campo.
Resumo em uma linha
Não existe uma lista de tipos de pesquisa, existem quatro perguntas. Responda para que serve, com que tipo de dado, com que profundidade e por qual caminho, e você terá a classificação completa do seu trabalho.
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Escrito por Deivid Silva Santos
Fundador da TCC Solutions Group
Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.
O que dizem os estudantes que já passaram por aqui.
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