Pesquisa empírica é a investigação que produz ou analisa evidências observáveis para responder a uma pergunta. Essas evidências podem vir de entrevistas, questionários, observações, experimentos, documentos, registros, bancos de dados ou medições. O ponto central não é usar números, mas conectar uma afirmação a dados obtidos por procedimentos explícitos.

Neste guia, você entenderá a diferença entre pesquisa empírica e estudo teórico, conhecerá abordagens qualitativas, quantitativas e mistas e verá como planejar o trabalho em sete etapas. Os exemplos ajudam a adaptar o método ao TCC sem inventar uma coleta inviável ou confundir experiência pessoal com evidência científica.

Pesquisa empírica com coleta e análise de evidências
A pesquisa empírica transforma observações e registros em evidências analisadas de forma sistemática.

Atualizado em 28/08/2026 · 13 min de leitura

O que é pesquisa empírica?

É um estudo baseado em dados do mundo observado. O pesquisador define um problema, escolhe quais evidências são necessárias, planeja como obtê-las e aplica uma forma de análise. Depois, interpreta os achados dentro dos limites da amostra, do instrumento e do contexto.

“Empírico” não significa improvisado. Uma conversa informal pode gerar uma ideia, mas não se torna automaticamente dado científico. Para integrar o estudo, a informação precisa ser coletada com critérios, registrada, protegida quando necessário e analisada de acordo com um plano justificável.

A investigação também não precisa começar do zero. Analisar dados públicos, prontuários autorizados, decisões judiciais, relatórios, notícias ou documentos institucionais pode constituir estudo empírico. O pesquisador não produziu o registro original, mas define corpus, critérios e procedimento de análise.

O método científico oferece a lógica geral que conecta pergunta, hipótese ou objetivo, evidências e conclusão.

Pesquisa empírica e pesquisa teórica: diferenças

A pesquisa teórica desenvolve, compara ou critica conceitos e argumentos com base em literatura e raciocínio analítico. Já a pesquisa empírica examina evidências observáveis. As duas não são inimigas: um estudo de campo precisa de teoria para definir categorias e interpretar resultados, enquanto uma discussão teórica pode ser orientada por achados empíricos anteriores.

Uma revisão bibliográfica tradicional pode ser teórica quando organiza posições conceituais. Uma revisão sistemática, por outro lado, utiliza procedimentos explícitos para localizar, selecionar e analisar um conjunto de estudos e pode tratar esses estudos como dados. A classificação depende da pergunta e do método, não apenas da presença de referências.

Exemplo: discutir o conceito de evasão universitária em diferentes autores é uma investigação teórica. Aplicar questionário a estudantes que interromperam o curso e analisar padrões de resposta é uma investigação empírica. Combinar as duas partes produz fundamentação e evidência local.

Tipos de pesquisa empírica

Observação direta em uma pesquisa empírica
A abordagem é escolhida conforme o problema, o tipo de dado e a conclusão que o desenho permite sustentar.

Pesquisa qualitativa

Investiga significados, experiências, práticas, discursos e processos. Pode usar entrevistas, grupos focais, observação, diário de campo e documentos. A análise procura padrões, categorias e interpretações contextualizadas. Profundidade e adequação do corpus são mais importantes do que representar estatisticamente uma população.

Veja critérios de coleta e análise no guia de pesquisa qualitativa.

Pesquisa quantitativa

Trabalha com variáveis mensuráveis e técnicas estatísticas. Pode descrever frequências, comparar grupos, estimar associações ou testar hipóteses. A validade depende de instrumento, amostragem, qualidade da base e pressupostos da análise. Um gráfico não torna o estudo quantitativo se os números não respondem ao problema.

Métodos mistos

Integram dados qualitativos e quantitativos de maneira planejada. Uma etapa pode explicar a outra, ou as duas podem ser coletadas em paralelo. Não basta incluir uma pergunta aberta em um questionário fechado; é preciso justificar como os conjuntos de dados serão relacionados na interpretação.

Estudo observacional

O pesquisador observa exposições, comportamentos ou resultados sem atribuir uma intervenção. Pesquisas transversais descrevem um momento; estudos longitudinais acompanham mudanças. O estudo de coorte é um exemplo de desenho observacional com acompanhamento ou reconstrução temporal.

Estudo experimental ou quase experimental

Examina efeitos de uma intervenção sob condições controladas. A atribuição aleatória, quando ética e viável, fortalece inferências causais. Em quase-experimentos, a comparação usa grupos ou momentos sem randomização completa. Esses desenhos exigem planejamento técnico e ético maior do que uma simples aplicação antes e depois.

Pesquisa documental empírica

Analisa documentos como dados: leis, decisões, prontuários autorizados, atas, relatórios, publicações, arquivos ou registros administrativos. É necessário definir universo, critérios de inclusão, período, unidade de análise e forma de codificação. “Pesquisar na internet” sem corpus e critérios não constitui método documental suficiente.

Exemplos de pesquisa empírica por área

Educação: investigar dificuldades de leitura acadêmica por entrevistas com estudantes e análise temática das respostas.

Administração: analisar a associação entre práticas de integração e intenção de permanência em uma empresa usando questionário validado.

Direito: examinar decisões de um tribunal em período delimitado para identificar padrões argumentativos e resultados processuais.

Saúde: descrever características de atendimentos a partir de banco autorizado, com critérios, proteção de dados e aprovação ética quando aplicável.

Engenharia: comparar desempenho de materiais ou configurações em testes controlados, registrando condições, instrumentos e incerteza de medição.

Comunicação: codificar enquadramentos presentes em uma amostra definida de notícias e comparar frequências e contextos.

Esses exemplos mostram que a escolha do instrumento vem depois da pergunta. Entrevista não é automaticamente melhor para temas humanos, e questionário não é automaticamente mais científico por gerar percentuais.

Como fazer pesquisa empírica em 7 etapas

1. Delimite a pergunta e o alcance

Defina população ou corpus, contexto, período e fenômeno. Verifique se o problema pode ser respondido com dados acessíveis no prazo do TCC. Uma pergunta sobre todas as universidades brasileiras provavelmente exige recorte; uma pergunta sobre uma turma ou conjunto documental pode ser viável.

2. Construa objetivos e referencial

O objetivo geral expressa a resposta buscada. Os específicos organizam etapas como descrever, comparar, identificar ou analisar. A literatura ajuda a definir conceitos, variáveis, categorias e lacunas. Evite escolher dados primeiro e criar um problema apenas para justificar o que já está disponível.

3. Escolha desenho, amostra e fonte de dados

Explique por que a abordagem responde à pergunta. Defina critérios de inclusão e exclusão, estratégia de amostragem e tamanho compatível. Em dados secundários, informe origem, período, cobertura e limitações. Em participantes humanos, planeje recrutamento sem coerção.

4. Prepare instrumentos e protocolo

Técnicas de coleta de dados em pesquisa empírica
Instrumentos, critérios e registros precisam ser definidos antes da coleta para reduzir inconsistências.

Crie roteiro, questionário, ficha de extração, procedimento experimental ou plano de observação. Faça teste piloto quando possível. Registre instruções, duração, sequência, ambiente e forma de armazenamento. Instrumentos validados devem ser usados conforme autorização e orientação dos autores.

5. Verifique ética e proteção de dados

Pesquisas com seres humanos podem exigir avaliação do sistema CEP/Conep antes da coleta, conforme natureza e regras institucionais. Consulte orientador e instituição e não inicie recrutamento enquanto houver exigência pendente. Informações oficiais estão na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

Planeje consentimento, minimização de dados, anonimização, controle de acesso e descarte. Retirar nomes não garante anonimato quando combinação de cargo, local e evento identifica a pessoa.

6. Colete e analise com rastreabilidade

Registre datas, perdas, desvios e versões. Não altere respostas para “limpar” resultado. Em análise quantitativa, confira duplicatas, valores ausentes e pressupostos. Em análise qualitativa, documente codificação, construção de categorias e escolha de excertos.

Análise de dados obtidos em pesquisa empírica
A análise transforma dados registrados em resultados que respondem aos objetivos sem ocultar incertezas.

7. Relate resultados, limites e conclusão

Apresente achados na ordem dos objetivos. Diferencie resultado, interpretação e comparação com literatura. Informe perdas, dados ausentes, vieses e explicações alternativas. A conclusão deve respeitar o desenho: uma pesquisa transversal pode mostrar associação, mas normalmente não prova causalidade.

Como planejar amostra e participantes

A amostra precisa ser adequada à pergunta e ao tipo de inferência. Em estudo qualitativo, justifique diversidade, pertinência e suficiência do material. Em quantitativo, considere população, variabilidade, efeito esperado, precisão e análise planejada. Não defina número apenas copiando outro TCC.

Amostragem por conveniência pode ser aceitável em estudos exploratórios, mas limita generalização. Declare como participantes chegaram ao estudo e quem ficou de fora. Em documentos, informe o caminho completo desde o universo inicial até o corpus final.

Se o curso não oferece apoio estatístico e o prazo é curto, escolha uma pergunta compatível com análise descritiva responsável. Um desenho simples e bem executado vale mais do que um modelo complexo aplicado sem pressupostos.

Como apresentar os resultados

Tabelas apresentam valores exatos; gráficos facilitam perceber padrões; quadros organizam informação textual. Todo elemento deve ter número, título, fonte e chamada no texto. Não repita em frases todos os dados já visíveis. Destaque o resultado que responde ao objetivo e explique sua relevância.

Em qualitativa, mostre como categorias foram construídas e use excertos curtos com identificação protegida. Em quantitativa, apresente denominadores, medidas e incerteza quando aplicável. Resultado “não significativo” ou tema pouco frequente não deve ser escondido.

Compare achados com estudos pertinentes encontrados em bases reconhecidas, como o Portal de Periódicos CAPES. Divergências também precisam ser discutidas, considerando contexto, amostra, instrumento e período.

Antes de montar a versão final, produza uma tabela interna que relacione objetivo específico, variável ou categoria, fonte do dado, procedimento de análise e resultado principal. Essa matriz não precisa aparecer no artigo, mas revela rapidamente objetivos sem evidência, resultados sem função e conclusões que avançam além do material coletado.

Também registre decisões tomadas durante a análise. Se uma categoria foi dividida, se uma resposta foi excluída ou se um valor foi recodificado, anote o motivo e a versão do arquivo. Essa trilha de auditoria reduz erros, facilita a orientação e permite explicar mudanças legítimas no relatório. Em pesquisa empírica, transparência vale mais do que apresentar um processo artificialmente perfeito.

Erros comuns em pesquisa empírica

Checklist da pesquisa empírica

Conclusões fundamentadas em evidências empíricas
O checklist final confere alinhamento, ética, rastreabilidade, análise e limites antes da entrega.

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Perguntas frequentes sobre pesquisa empírica

Pesquisa empírica precisa ter entrevista?

Não. Entrevista é uma técnica possível. Questionário, observação, experimento, documento, registro e banco de dados também podem fornecer evidências empíricas.

Ela pode ser apenas qualitativa?

Sim. Pesquisa empírica pode ser qualitativa, quantitativa ou mista. A abordagem depende da pergunta e do tipo de evidência necessário.

Toda pesquisa de campo precisa de comitê de ética?

As exigências variam conforme participantes, dados, área e norma aplicável. Consulte orientador, instituição e sistema CEP/Conep antes de coletar. Não suponha dispensa por conta própria.

Posso usar dados públicos?

Sim, desde que a fonte permita o uso, o tratamento seja compatível com a finalidade e as limitações sejam informadas. Dado público não elimina automaticamente obrigações éticas e de proteção.

Qual é a diferença entre pesquisa empírica e estudo de caso?

Estudo de caso é um desenho aprofundado de uma unidade ou conjunto delimitado. Pode ser empírico quando analisa entrevistas, observações, documentos ou registros. Pesquisa empírica é uma categoria mais ampla.

Resultado sem diferença invalida o TCC?

Não. Um resultado contrário à hipótese ou sem diferença pode ser válido quando o método foi adequado. Apresente-o com transparência, discuta poder, limitações e explicações alternativas.

Conclusão

A pesquisa empírica conecta perguntas a evidências observáveis por meio de um protocolo. Sua qualidade depende de delimitação, desenho compatível, instrumentos adequados, ética, registro das decisões e análise transparente.

Planeje antes de coletar, preserve dados e versões, diferencie resultado de interpretação e limite a conclusão ao que o método permite afirmar. Assim, o estudo ganha rigor e pode ser avaliado, discutido e utilizado por outros leitores.

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Deivid Silva Santos, fundador da TCC Solutions Group

Escrito por Deivid Silva Santos

Fundador da TCC Solutions Group

Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.

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TThaís Helenahá 5 meses
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