Aluna estudando o Pré-Projeto de Pesquisa
O pré-projeto bem feito adianta boa parte do projeto que vem depois.

Atualizado em 28/07/2026 · 14 min de leitura

O pré-projeto de pesquisa é o documento curto que você entrega antes de começar a pesquisa de verdade, para que a coordenação, o orientador ou a banca de seleção avaliem se a proposta faz sentido e é viável. Ele costuma ter entre cinco e dez páginas, segue uma estrutura previsível e é escrito no futuro, porque descreve o que ainda vai ser feito. Este guia mostra a estrutura seção por seção, com o que escrever em cada uma, quanto ocupa cada parte e os erros que fazem a proposta voltar.

Pré-projeto, projeto e TCC: o que muda entre eles

A confusão entre os três documentos atrapalha desde o começo, porque o aluno escreve o documento errado e precisa refazer. A diferença é de estágio e de profundidade, não de assunto.

Comparação entre um documento curto e um documento longo
O pré-projeto é a versão enxuta do que depois vira o projeto completo.
DocumentoQuando é entregueExtensão típicaTempo verbal
Pré-projetoAntes da aprovação do tema ou na seleção5 a 10 páginasFuturo
Projeto de pesquisaDepois do tema aprovado, com orientador definido15 a 30 páginasFuturo
TCC ou monografiaAo final, com a pesquisa concluída40 a 80 páginasPassado

Na prática, o pré-projeto é uma versão enxuta do projeto. Tudo o que estiver nele vai reaparecer depois, ampliado. Por isso vale escrever com cuidado desde já: um pré-projeto bem feito economiza semanas na etapa seguinte, porque você reaproveita quase tudo. Se você já passou dessa fase, o passo seguinte está no nosso guia de como fazer projeto de pesquisa.

Uma observação sobre finalidade. Quando o pré-projeto é usado em processo seletivo de pós-graduação, ele deixa de ser só um planejamento e vira peça de avaliação comparativa: a banca lê dezenas deles e escolhe. Nesse caso, a clareza da pergunta e a viabilidade pesam mais que a ambição do tema. Para o contexto específico do mestrado, temos um material sobre pré-projeto de mestrado.

Página dividida em oito seções numeradas
As oito seções do pré-projeto, na ordem em que aparecem no documento.

A estrutura do pré-projeto, seção por seção

A ordem abaixo é a mais aceita. Algumas instituições juntam ou separam itens, então confira o modelo do seu curso antes. As proporções servem para um documento de oito páginas.

1. Capa e folha de rosto

Instituição, curso, seu nome, título do trabalho, cidade e ano. O título merece atenção: precisa dizer o que será estudado, com quem e onde. Título vago é a primeira impressão ruim que a banca tem.

2. Tema e delimitação

Um ou dois parágrafos que situam o assunto e mostram o recorte. Diga explicitamente o que fica de fora. Escrever que a pesquisa se limita a duas unidades de uma rede em um município específico, no período de determinado ano, vale mais que três páginas de contextualização genérica.

3. Problema de pesquisa

Uma pergunta, com ponto de interrogação, no final de um parágrafo curto que a contextualiza. É a seção mais importante do documento inteiro. Se a pergunta estiver clara, tudo o que vem depois se organiza sozinho. Se estiver vaga, nenhum capítulo vai funcionar. Ocupa meia página.

4. Objetivos

Um objetivo geral que responde diretamente ao problema, e de três a cinco específicos que são as etapas para chegar lá. Todos começam com verbo no infinitivo. Meia página, sem enrolação.

5. Justificativa

Por que essa pesquisa merece ser feita, em três frentes: relevância acadêmica (o que falta na literatura), relevância social ou prática (quem se beneficia) e motivação pessoal ou profissional (por que você). Uma página. Veja como estruturar em justificativa para projeto de pesquisa.

6. Referencial teórico preliminar

Aqui não é o capítulo completo, é o esboço: dois ou três conceitos centrais, com os autores que você pretende usar. De uma a duas páginas. O avaliador quer ver que você já leu alguma coisa e sabe onde vai buscar o resto, não que você domina o campo inteiro.

7. Metodologia

Tipo de pesquisa, abordagem, procedimento, quem ou o que será estudado, como os dados serão coletados e como serão analisados. Uma página. É a seção que a banca usa para julgar viabilidade, então seja concreto: diga quantas entrevistas, com quem, em que período.

8. Cronograma e referências

Um quadro com as etapas distribuídas nos meses disponíveis, e a lista de referências no padrão da norma, contendo apenas o que foi efetivamente citado no texto.

Um cronograma que a banca aceita

O cronograma é a parte que o aluno preenche no piloto automático e que o avaliador experiente lê com atenção, porque ele revela se a proposta é executável. Distribua as etapas nos meses reais que você tem, não nos que gostaria de ter.

Calendário com semanas marcadas representando o cronograma
Distribua as etapas nos meses reais disponíveis, com folga para imprevistos.
EtapaMeses 1 e 2Meses 3 e 4Meses 5 e 6
Revisão da literaturaXX
Construção dos instrumentosX
Submissão ao comitê de éticaX
Coleta de dadosX
Análise dos dadosX
Redação e revisão finalX

Dois detalhes que separam um cronograma crível de um decorativo. O primeiro é a submissão ao comitê de ética, que muitos alunos esquecem e que pode levar semanas quando a pesquisa envolve pessoas. Deixar essa linha visível mostra que você entendeu o processo. O segundo é não empilhar coleta e análise no mesmo mês da entrega: quem faz isso normalmente pede prorrogação.

Documento com marcações de correção em vermelho
A maioria das devoluções vem de recorte largo e metodologia genérica.

Erros que fazem o pré-projeto voltar

Como escrever cada seção sem travar

A ordem de escrita não precisa ser a ordem de leitura, e essa é a dica que mais destrava gente. Comece pelo problema, mesmo que ele saia torto na primeira tentativa. Depois escreva os objetivos, que derivam dele quase mecanicamente. Só então volte para o tema e a delimitação, que agora ficam fáceis porque você já sabe onde quer chegar. A justificativa vem depois, porque justificar é mais simples quando a pergunta já está definida. Metodologia e cronograma fecham o documento.

Um exercício rápido para testar se o seu problema está bom: escreva a pergunta e, embaixo, escreva a resposta que você imagina encontrar. Se a resposta imaginada for óbvia, a pergunta é fraca. Se você não conseguir imaginar nenhuma resposta, a pergunta provavelmente está ampla ou mal formulada. Se você conseguir imaginar duas ou três respostas plausíveis e diferentes, a pergunta está boa, porque existe algo real a investigar.

Sobre extensão, resista à tentação de encher. Pré-projeto de vinte páginas não impressiona, sinaliza que o candidato não sabe sintetizar. Se o edital ou o manual definir um limite, respeite com rigor, porque exceder é motivo comum de desclassificação em processos seletivos.

Formatação: o mínimo que costuma ser cobrado

A referência principal para apresentação de trabalhos acadêmicos é a ABNT NBR 14724, cuja edição mais recente foi publicada em dezembro de 2024 e substituiu a versão de 2011. Para as citações, vale a NBR 10520, atualizada em 2023. Vale conferir se o manual da sua instituição já foi ajustado a essas versões, porque muitos ainda reproduzem as regras antigas, e nesse caso o manual da faculdade é o que prevalece na avaliação.

Mais detalhes de formatação estão no nosso guia de formatação ABNT e no material específico sobre a NBR 14724.

Exemplo comentado de problema e objetivos

Ver o antes e o depois ajuda mais que qualquer explicação. Suponha um estudante de Administração interessado em pequenos negócios.

Versão fraca: como as microempresas podem melhorar sua gestão financeira?

O problema aí é que a pergunta não tem recorte. Quais microempresas, onde, de que setor, em que período? Do jeito que está, responder exigiria estudar o Brasil inteiro, e qualquer resposta seria genérica.

Versão boa: quais práticas de controle financeiro são adotadas por microempreendedores do setor de alimentação de um bairro específico, e o que eles apontam como principal dificuldade para manter esses controles?

Agora existe recorte de setor, de território e de recorte temático. A pergunta é respondível com dez ou doze entrevistas, cabe em um semestre e ainda tem duas partes, o que gera naturalmente os objetivos específicos: identificar as práticas, descrever as dificuldades relatadas, e relacionar as duas coisas.

Repare que a versão boa não é mais sofisticada, é mais estreita. Essa é a lógica que quase todo estudante inverte no começo: acha que precisa parecer ambicioso, quando a banca está procurando alguém que sabe delimitar.

Checklist antes de entregar

Como escolher um tema que sobrevive ao semestre

Antes de escrever qualquer linha, existe uma decisão que determina o resto: o tema. E o critério que mais importa não é o interesse, é o acesso. Você pode adorar um assunto e não ter como estudá-lo, e isso só aparece quando já é tarde.

Faça três perguntas antes de fechar. Primeira: eu tenho acesso garantido ao campo? Se a pesquisa depende de entrar em uma empresa, uma escola ou um hospital, você precisa de alguém que abra a porta, e precisa disso antes de escrever a metodologia. Segunda: existe literatura suficiente em português ou em idioma que eu leio? Tema muito novo às vezes tem produção só em periódicos internacionais de acesso pago. Terceira: o assunto está dentro da linha de pesquisa dos professores do meu curso? Orientador que não domina o tema orienta mal, e isso pesa mais do que parece.

Uma tática que funciona bem: comece pelo campo, não pelo assunto. Se você trabalha em uma clínica, dá aula em uma escola ou tem um parente com um pequeno comércio, esse é o seu acesso privilegiado. Pergunte-se o que ali merece ser investigado. Pesquisa que nasce de um campo ao qual você já pertence tem taxa de conclusão muito maior do que a que nasce de um tema bonito sem porta de entrada.

O que o avaliador lê primeiro

Vale saber como o documento é lido do outro lado. Quem avalia um pré-projeto raramente lê de forma linear na primeira passada. O caminho comum é: título, problema, objetivos, metodologia e cronograma. A justificativa e o referencial vêm depois, para confirmar a impressão já formada. Isso significa que as quatro seções curtas carregam quase todo o peso da decisão.

A consequência prática é direta: se o seu tempo é limitado, invista onde ele rende mais. Um problema afiado, objetivos coerentes e uma metodologia concreta valem mais do que cinco páginas caprichadas de referencial teórico. Muito aluno faz o inverso, gasta duas semanas na fundamentação e escreve a metodologia na véspera, em três parágrafos vagos. É exatamente a parte que a banca lê com mais atenção.

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Perguntas frequentes

Quantas páginas deve ter um pré-projeto de pesquisa?

Entre cinco e dez páginas na maioria dos casos, sem contar capa e referências. Quando existe edital, o limite dele é o que vale, e exceder costuma eliminar o candidato antes mesmo da leitura do mérito.

Preciso ter feito a revisão bibliográfica completa?

Não. O referencial do pré-projeto é preliminar por definição. Bastam os conceitos centrais e alguns autores de referência, mostrando que você conhece o terreno. A revisão completa é trabalho da etapa seguinte.

Posso mudar o tema depois de aprovar o pré-projeto?

Ajustes de recorte são comuns e esperados. Mudança completa de tema normalmente exige nova aprovação da coordenação e pode implicar troca de orientador, já que a distribuição costuma seguir a linha de pesquisa. Converse antes de reescrever.

Pré-projeto precisa de hipótese?

Depende da abordagem e da exigência institucional. Propostas quantitativas costumam apresentar hipóteses. Propostas qualitativas frequentemente trabalham com questões norteadoras. Confira o modelo do seu curso, porque alguns pedem explicitamente uma seção de hipóteses.

Dá para usar um modelo pronto de pré-projeto?

Um modelo ajuda como estrutura, mostrando o que vai em cada seção e em que ordem. O conteúdo precisa ser seu, porque a pergunta de pesquisa nasce do seu interesse e do seu acesso ao campo. Modelo com conteúdo aproveitado gera propostas inviáveis, já que o campo descrito não é o seu.

O pré-projeto vale nota?

Em muitos cursos sim, ele compõe a nota da disciplina de metodologia ou de projeto. Em processos seletivos de pós-graduação, ele costuma ter peso alto e às vezes é eliminatório. Trate como documento avaliado, não como formalidade.

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O que dizem os estudantes que já passaram por aqui.

TThaís Helenahá 5 meses
★★★★★

Super indico, já fiz três projetos para a faculdade, e tanto o David quanto a Amanda foram super atenciosos. Tive 100% de aprovação nos trabalhos.

VValéria DantasLocal Guide, 81 avaliações · há 1 mês
★★★★★

Ótimo atendimento, entrega no prazo, me orientou em todas as dúvidas. Tirei nota máxima no projeto e entreguei também as horas complementares.

CCelso Leandrohá 9 meses
★★★★★

Tive uma excelente experiência com a TCC Solutions Group, que realizou meu projeto de extensão. Desde o início, demonstraram profissionalismo, comprometimento e domínio técnico em todas as etapas.

KKenne Medeiroshá 1 mês
★★★★★

Minha experiência foi ótima, nada a reclamar dos atendimentos e muito menos dos trabalhos. Meu último trabalho foi um portfólio do curso Ciências Contábeis e foi excelente.

AAna Tainarahá 2 meses
★★★★★

Fiquei muito satisfeita com o serviço! A empresa foi super comprometida, entregou tudo na data certinha e com muita qualidade. Tirei nota máxima. Recomendo!

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