Resultados e discussão no TCC: gráficos impressos, notebook e calculadora sobre a mesa
Resultados e discussão: apresentar o dado é uma coisa, interpretar é outra.

Atualizado em 31/07/2026 · 14 min de leitura

A seção de resultados e discussão é onde o TCC deixa de repetir o que os outros disseram e passa a dizer alguma coisa. Também é a parte que mais trava, porque exige duas habilidades opostas ao mesmo tempo: mostrar os dados com frieza e, logo depois, interpretá-los com coragem.

O erro que aparece com mais frequência não é técnico, é de proporção. Aluno descreve tabela por três páginas e resolve a discussão em um parágrafo genérico dizendo que os dados foram satisfatórios. A banca lê isso e pergunta a única coisa que interessa: e daí? Este guia mostra como responder a essa pergunta.

Resultados e discussão: o que a seção precisa entregar

Resultado é o que você encontrou. Discussão é o que aquilo significa diante do que já se sabia. As duas coisas respondem a perguntas diferentes e usam registros de escrita diferentes.

Existe um teste rápido para saber se você separou bem: se um trecho pode ser contestado por outro pesquisador que tenha os mesmos dados, ele é discussão. Se não pode, porque é apenas a leitura do que está na tabela, é resultado.

Essa seção também é a que fecha o ciclo do trabalho. Ela precisa responder, uma a uma, às perguntas que você mesmo levantou lá no recorte do tema e nos objetivos específicos. Objetivo específico que não aparece nos resultados vira dívida aberta, e a banca cobra.

Resultados e discussão: juntar ou separar as duas seções

Os dois formatos são aceitos, e a escolha depende menos do seu gosto e mais da área e do manual do curso.

Seções separadas funcionam bem em pesquisas quantitativas com muitos dados. Você apresenta tudo em Resultados, de forma limpa, e depois interpreta em Discussão. A vantagem é a clareza: o leitor consegue conferir os números sem tropeçar em interpretação. A desvantagem é a repetição, porque você acaba retomando cada dado na seção seguinte.

Seção única, chamada de Resultados e Discussão, funciona melhor em pesquisas qualitativas e em estudos com poucos eixos de análise. Você apresenta um achado e já o discute, depois passa ao próximo. Fica mais fluido e evita a redundância, mas exige disciplina para não misturar dado com opinião no mesmo parágrafo.

Áreas da saúde e engenharias costumam pedir separado. Ciências humanas e sociais aplicadas costumam aceitar junto. Na dúvida, abra dois ou três TCCs aprovados recentemente no seu curso e siga o padrão da casa.

Análise de resultados tcc com gráfico de barras impresso e caneta apontando o dado
Em resultados e discussão, cada elemento visual é chamado no texto antes de aparecer.

Como apresentar os resultados sem interpretar

A ordem de apresentação não é a ordem em que você coletou. É a ordem dos seus objetivos específicos. Cada objetivo vira um bloco de resultados, na mesma sequência em que aparece na introdução. Isso sozinho resolve metade dos problemas de organização.

Dentro de cada bloco, o padrão que funciona tem três movimentos curtos: anuncie o que vem, mostre o dado, destaque o essencial.

Repare que o destaque não explica por que a concentração aconteceu. Ele apenas aponta o que salta aos olhos. A explicação fica para a discussão.

Sobre linguagem: use terceira pessoa ou voz impessoal, mantenha o tempo verbal no passado para o que você fez e observou, e corte qualquer palavra que carregue julgamento. Trocar “os resultados foram muito bons” por “identificou-se aumento de 18 pontos percentuais” é o tipo de ajuste que muda a percepção da banca sobre o trabalho inteiro.

Não repita no texto tudo que já está na tabela. Se a tabela tem doze linhas, o parágrafo comenta as duas ou três que importam para o argumento. Texto que reescreve a tabela inteira ocupa espaço e não acrescenta nada.

Tabela, quadro e gráfico: o que vai em cada um

A ABNT trata esses elementos de forma diferente, e trocar um pelo outro é erro de formatação clássico.

Três regras valem para todos. Todo elemento precisa ser chamado no texto antes de aparecer. Todo elemento precisa de fonte, mesmo quando os dados são seus, caso em que se escreve dados da pesquisa ou produzido pelo autor. E todo elemento precisa ser autoexplicativo: quem ler só a tabela tem que entender do que se trata.

As regras desses elementos seguem as normas publicadas pela ABNT, e vale abrir artigos recentes da sua área no SciELO para ver como pesquisadores experientes organizam a seção de resultados e discussão. Gráfico só se ganha do texto. Comparação entre poucas categorias cabe numa frase e não precisa de figura. Se você tem três números para mostrar, escreva os três. Gráfico de pizza com duas fatias é ocupação de espaço.

Tabela de dados impressa com celulas destacadas por marcador amarelo
Tabela é para número tratado; nos resultados e discussão, informação textual vai em quadro.

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Resultados e discussão: como escrever a discussão em quatro movimentos

A discussão trava porque parece exigir inspiração. Não exige. Ela tem uma estrutura previsível, e cada achado importante passa pelos mesmos quatro movimentos.

Quatro movimentos por achado, três ou quatro achados relevantes, e a discussão passa das mil palavras sem esforço, com densidade real. O que não funciona é discutir todos os dados: escolha os que respondem aos objetivos e deixe o resto na apresentação de resultados.

Do dado bruto ao achado: o passo que ninguém ensina

Existe uma etapa silenciosa entre fechar a coleta e começar a escrever, e é nela que a maioria dos trabalhos empaca. Você tem duzentas respostas de questionário ou oito transcrições de entrevista, olha aquilo e não sabe por onde começar. O problema raramente é falta de dado. É excesso de dado sem recorte.

O caminho é reduzir antes de escrever. Em pesquisa quantitativa, comece pelas frequências simples de cada variável, depois cruze apenas as que os objetivos pedem. Cruzamento feito por curiosidade gera tabela que você não vai conseguir justificar na banca quando perguntarem por que aquilo está ali.

Em pesquisa qualitativa, o movimento equivalente é a categorização. Leia todas as transcrições marcando trechos que respondem aos objetivos, agrupe os trechos parecidos, dê nome a cada grupo e verifique se as categorias cobrem o material sem se sobrepor. Três a seis categorias costumam dar conta de um TCC de graduação. Vinte categorias significam que você não agrupou, apenas listou.

Quem faz essa redução antes de abrir o editor escreve a seção em poucos dias. Quem tenta escrever direto do arquivo bruto passa semanas reorganizando parágrafo. Vale o mesmo princípio que usamos na etapa de pesquisa de campo: planejar a saída antes de mexer na entrada.

Dialogar com a literatura sem virar revisão bibliográfica

A discussão usa os mesmos autores do referencial teórico, mas com função invertida. Lá, você apresentou o que eles pensam. Aqui, você os coloca para conversar com o que você encontrou.

A diferença aparece na estrutura da frase. Referencial teórico: “Silva (2021) defende que a rotatividade está associada à ausência de plano de carreira.” Discussão: “O índice de 34% encontrado nesta pesquisa aproxima-se do relatado por Silva (2021), o que reforça a associação entre rotatividade e ausência de plano de carreira também em organizações de pequeno porte.”

No segundo caso, o autor entra depois do seu dado, não antes. Essa inversão é o que impede a discussão de virar um segundo capítulo de revisão. Se um parágrafo inteiro passa sem mencionar nenhum resultado seu, ele está no lugar errado.

Traga autores novos com parcimônia. Se um estudo é tão central que só aparece na discussão, provavelmente ele deveria estar no referencial. A exceção legítima é a literatura que explica um achado inesperado, que você não tinha como prever ao montar a fundamentação.

Maos segurando duas folhas impressas com graficos diferentes lado a lado
A discussão compara com a literatura e diz se o resultado converge ou diverge.

Quando o resultado contraria a sua hipótese

Muita gente entra em pânico aqui e tenta maquiar o dado. É o pior caminho possível, porque a banca percebe e porque resultado contrário é material excelente para discussão.

Pesquisa não existe para confirmar o que você já achava. Hipótese refutada é um achado legítimo, e discutir por que a realidade se comportou de forma diferente do previsto costuma render as páginas mais interessantes do trabalho. Você pode explorar particularidades do contexto estudado, limitações do instrumento, características da amostra ou mudanças ocorridas entre a publicação da literatura e a sua coleta.

O que a banca não perdoa é o contrário: forçar a interpretação para o dado caber na hipótese, omitir resultado que atrapalha ou concluir algo que os dados não sustentam. Honestidade metodológica pesa mais na avaliação do que hipótese confirmada.

Limitações do estudo dentro de resultados e discussão

As limitações fecham a discussão, em um parágrafo ou subseção curta, antes da conclusão. Elas não enfraquecem o trabalho, delimitam até onde ele pode falar. Pesquisador experiente reconhece que todo estudo tem fronteiras.

Escreva limitação seguida de encaminhamento: reconheça a fronteira e sugira o que uma pesquisa futura poderia fazer para superá-la. Isso transforma uma fraqueza declarada em agenda de pesquisa.

Notebook exibindo planilha com celulas e grafico de linha, bloco de notas ao lado
Organize os dados antes de escrever: metade do bloqueio em resultados e discussão é desorganização.

Resultados e discussão: erros que a banca cobra

Checklist de resultados e discussão antes de entregar

Perguntas frequentes sobre resultados e discussão

Quantas páginas deve ter a seção de resultados e discussão?

Não há número fixo. Em monografias de graduação, costuma ocupar entre 25% e 35% do corpo do trabalho, o que dá algo entre 12 e 20 páginas em um TCC de 50. O critério real é ter discutido todos os objetivos com profundidade, não atingir uma contagem.

Posso usar primeira pessoa na discussão?

Depende do manual do curso. A tradição brasileira prefere impessoalidade, com construções como observou-se e verificou-se. Alguns programas já aceitam primeira pessoa do plural. Escolha um padrão e mantenha no trabalho inteiro.

Preciso discutir todos os dados que coletei?

Não. Discuta os que respondem aos objetivos. Dados secundários podem ficar apenas na apresentação de resultados, ou até em apêndice, se forem volumosos e pouco relevantes para o argumento.

Em pesquisa qualitativa, como apresento os resultados?

Por categorias de análise, com trechos das falas dos participantes identificados por código, como P1 e P2, preservando o anonimato. Cada categoria vira um bloco, e a discussão acontece logo após cada uma ou em seção própria, dependendo do formato escolhido.

A discussão pode trazer sugestões práticas?

Pode e deve, desde que decorram dos seus dados. Sugestão que não se apoia em nenhum achado do trabalho é palpite, e a banca cobra a origem. Amarre cada recomendação a um resultado específico.

Resultados e discussão: por onde começar hoje

Se a seção está travada, abra um documento em branco e liste os objetivos específicos, um por linha. Embaixo de cada um, escreva em uma frase o que você encontrou. Esse esqueleto de dez linhas é a espinha da seção inteira, e escrever em cima dele é infinitamente mais fácil do que encarar a página vazia.

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Deivid Silva Santos, fundador da TCC Solutions Group

Escrito por Deivid Silva Santos

Fundador da TCC Solutions Group

Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.

5,0★★★★★157 avaliações no Google

O que dizem os estudantes que já passaram por aqui.

TThaís Helenahá 5 meses
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Super indico, já fiz três projetos para a faculdade, e tanto o David quanto a Amanda foram super atenciosos. Tive 100% de aprovação nos trabalhos.

VValéria DantasLocal Guide, 81 avaliações · há 1 mês
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CCelso Leandrohá 9 meses
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KKenne Medeiroshá 1 mês
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AAna Tainarahá 2 meses
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