
A seção de resultados e discussão é onde o TCC deixa de repetir o que os outros disseram e passa a dizer alguma coisa. Também é a parte que mais trava, porque exige duas habilidades opostas ao mesmo tempo: mostrar os dados com frieza e, logo depois, interpretá-los com coragem.
O erro que aparece com mais frequência não é técnico, é de proporção. Aluno descreve tabela por três páginas e resolve a discussão em um parágrafo genérico dizendo que os dados foram satisfatórios. A banca lê isso e pergunta a única coisa que interessa: e daí? Este guia mostra como responder a essa pergunta.
Resultados e discussão: o que a seção precisa entregar
Resultado é o que você encontrou. Discussão é o que aquilo significa diante do que já se sabia. As duas coisas respondem a perguntas diferentes e usam registros de escrita diferentes.
- Resultados respondem “o que os dados mostram”. Registro descritivo, impessoal, sem adjetivo de valor. Nada de excelente, preocupante ou surpreendente aqui.
- Discussão responde “o que isso quer dizer e por quê”. Registro interpretativo, dialogando com os autores do referencial e assumindo posição.
Existe um teste rápido para saber se você separou bem: se um trecho pode ser contestado por outro pesquisador que tenha os mesmos dados, ele é discussão. Se não pode, porque é apenas a leitura do que está na tabela, é resultado.
Essa seção também é a que fecha o ciclo do trabalho. Ela precisa responder, uma a uma, às perguntas que você mesmo levantou lá no recorte do tema e nos objetivos específicos. Objetivo específico que não aparece nos resultados vira dívida aberta, e a banca cobra.
Resultados e discussão: juntar ou separar as duas seções
Os dois formatos são aceitos, e a escolha depende menos do seu gosto e mais da área e do manual do curso.
Seções separadas funcionam bem em pesquisas quantitativas com muitos dados. Você apresenta tudo em Resultados, de forma limpa, e depois interpreta em Discussão. A vantagem é a clareza: o leitor consegue conferir os números sem tropeçar em interpretação. A desvantagem é a repetição, porque você acaba retomando cada dado na seção seguinte.
Seção única, chamada de Resultados e Discussão, funciona melhor em pesquisas qualitativas e em estudos com poucos eixos de análise. Você apresenta um achado e já o discute, depois passa ao próximo. Fica mais fluido e evita a redundância, mas exige disciplina para não misturar dado com opinião no mesmo parágrafo.
Áreas da saúde e engenharias costumam pedir separado. Ciências humanas e sociais aplicadas costumam aceitar junto. Na dúvida, abra dois ou três TCCs aprovados recentemente no seu curso e siga o padrão da casa.

Como apresentar os resultados sem interpretar
A ordem de apresentação não é a ordem em que você coletou. É a ordem dos seus objetivos específicos. Cada objetivo vira um bloco de resultados, na mesma sequência em que aparece na introdução. Isso sozinho resolve metade dos problemas de organização.
Dentro de cada bloco, o padrão que funciona tem três movimentos curtos: anuncie o que vem, mostre o dado, destaque o essencial.
- Anúncio: a Tabela 2 apresenta a distribuição dos participantes por faixa etária.
- Dado: o elemento visual entra logo depois, formatado conforme a ABNT.
- Destaque: observa-se concentração de 62% na faixa de 25 a 34 anos, seguida de 21% na faixa de 35 a 44 anos.
Repare que o destaque não explica por que a concentração aconteceu. Ele apenas aponta o que salta aos olhos. A explicação fica para a discussão.
Sobre linguagem: use terceira pessoa ou voz impessoal, mantenha o tempo verbal no passado para o que você fez e observou, e corte qualquer palavra que carregue julgamento. Trocar “os resultados foram muito bons” por “identificou-se aumento de 18 pontos percentuais” é o tipo de ajuste que muda a percepção da banca sobre o trabalho inteiro.
Não repita no texto tudo que já está na tabela. Se a tabela tem doze linhas, o parágrafo comenta as duas ou três que importam para o argumento. Texto que reescreve a tabela inteira ocupa espaço e não acrescenta nada.
Tabela, quadro e gráfico: o que vai em cada um
A ABNT trata esses elementos de forma diferente, e trocar um pelo outro é erro de formatação clássico.
- Tabela: dados numéricos tratados estatisticamente. Não leva traços verticais nas laterais nem fechamento nas bordas. Título acima, fonte abaixo.
- Quadro: informações qualitativas ou textuais organizadas em linhas e colunas. É fechado nas quatro bordas, o que o diferencia visualmente da tabela.
- Figura: categoria que engloba gráficos, fotografias, fluxogramas, mapas e esquemas. Título acima e fonte abaixo, como nos demais.
Três regras valem para todos. Todo elemento precisa ser chamado no texto antes de aparecer. Todo elemento precisa de fonte, mesmo quando os dados são seus, caso em que se escreve dados da pesquisa ou produzido pelo autor. E todo elemento precisa ser autoexplicativo: quem ler só a tabela tem que entender do que se trata.
As regras desses elementos seguem as normas publicadas pela ABNT, e vale abrir artigos recentes da sua área no SciELO para ver como pesquisadores experientes organizam a seção de resultados e discussão. Gráfico só se ganha do texto. Comparação entre poucas categorias cabe numa frase e não precisa de figura. Se você tem três números para mostrar, escreva os três. Gráfico de pizza com duas fatias é ocupação de espaço.

Tabelas, quadros e figuras já formatados no padrão ABNT, com numeração e fonte no lugar certo. 👇
Baixar agora »Resultados e discussão: como escrever a discussão em quatro movimentos
A discussão trava porque parece exigir inspiração. Não exige. Ela tem uma estrutura previsível, e cada achado importante passa pelos mesmos quatro movimentos.
- 1. Retome o achado em uma frase, sem repetir os números todos: verificou-se predomínio de participantes na faixa de 25 a 34 anos.
- 2. Interprete: o que explica esse resultado no contexto que você estudou? Aqui entra o seu raciocínio, ancorado no referencial.
- 3. Compare com a literatura: esse achado converge com o que Silva (2021) encontrou, ou contraria? Diga qual dos dois e por quê.
- 4. Extraia a implicação: o que muda na prática, na teoria ou na gestão do problema por causa desse achado.
Quatro movimentos por achado, três ou quatro achados relevantes, e a discussão passa das mil palavras sem esforço, com densidade real. O que não funciona é discutir todos os dados: escolha os que respondem aos objetivos e deixe o resto na apresentação de resultados.
Do dado bruto ao achado: o passo que ninguém ensina
Existe uma etapa silenciosa entre fechar a coleta e começar a escrever, e é nela que a maioria dos trabalhos empaca. Você tem duzentas respostas de questionário ou oito transcrições de entrevista, olha aquilo e não sabe por onde começar. O problema raramente é falta de dado. É excesso de dado sem recorte.
O caminho é reduzir antes de escrever. Em pesquisa quantitativa, comece pelas frequências simples de cada variável, depois cruze apenas as que os objetivos pedem. Cruzamento feito por curiosidade gera tabela que você não vai conseguir justificar na banca quando perguntarem por que aquilo está ali.
Em pesquisa qualitativa, o movimento equivalente é a categorização. Leia todas as transcrições marcando trechos que respondem aos objetivos, agrupe os trechos parecidos, dê nome a cada grupo e verifique se as categorias cobrem o material sem se sobrepor. Três a seis categorias costumam dar conta de um TCC de graduação. Vinte categorias significam que você não agrupou, apenas listou.
- Reduza cada objetivo específico a uma pergunta simples que os dados possam responder.
- Separe o material que responde a cada pergunta e ignore, por ora, o restante.
- Escreva em uma frase o que aquele conjunto mostra, antes de montar qualquer tabela.
- Só então decida se aquilo vira texto corrido, tabela, quadro ou figura.
Quem faz essa redução antes de abrir o editor escreve a seção em poucos dias. Quem tenta escrever direto do arquivo bruto passa semanas reorganizando parágrafo. Vale o mesmo princípio que usamos na etapa de pesquisa de campo: planejar a saída antes de mexer na entrada.
Dialogar com a literatura sem virar revisão bibliográfica
A discussão usa os mesmos autores do referencial teórico, mas com função invertida. Lá, você apresentou o que eles pensam. Aqui, você os coloca para conversar com o que você encontrou.
A diferença aparece na estrutura da frase. Referencial teórico: “Silva (2021) defende que a rotatividade está associada à ausência de plano de carreira.” Discussão: “O índice de 34% encontrado nesta pesquisa aproxima-se do relatado por Silva (2021), o que reforça a associação entre rotatividade e ausência de plano de carreira também em organizações de pequeno porte.”
No segundo caso, o autor entra depois do seu dado, não antes. Essa inversão é o que impede a discussão de virar um segundo capítulo de revisão. Se um parágrafo inteiro passa sem mencionar nenhum resultado seu, ele está no lugar errado.
Traga autores novos com parcimônia. Se um estudo é tão central que só aparece na discussão, provavelmente ele deveria estar no referencial. A exceção legítima é a literatura que explica um achado inesperado, que você não tinha como prever ao montar a fundamentação.

Quando o resultado contraria a sua hipótese
Muita gente entra em pânico aqui e tenta maquiar o dado. É o pior caminho possível, porque a banca percebe e porque resultado contrário é material excelente para discussão.
Pesquisa não existe para confirmar o que você já achava. Hipótese refutada é um achado legítimo, e discutir por que a realidade se comportou de forma diferente do previsto costuma render as páginas mais interessantes do trabalho. Você pode explorar particularidades do contexto estudado, limitações do instrumento, características da amostra ou mudanças ocorridas entre a publicação da literatura e a sua coleta.
O que a banca não perdoa é o contrário: forçar a interpretação para o dado caber na hipótese, omitir resultado que atrapalha ou concluir algo que os dados não sustentam. Honestidade metodológica pesa mais na avaliação do que hipótese confirmada.
Limitações do estudo dentro de resultados e discussão
As limitações fecham a discussão, em um parágrafo ou subseção curta, antes da conclusão. Elas não enfraquecem o trabalho, delimitam até onde ele pode falar. Pesquisador experiente reconhece que todo estudo tem fronteiras.
- Tamanho e forma de composição da amostra, sobretudo em amostras não probabilísticas.
- Recorte temporal e geográfico, que restringe a generalização.
- Limitações do instrumento, como autorrelato sujeito a viés de desejabilidade social.
- Ausência de grupo de comparação em delineamentos mais simples.
- Fatores externos ocorridos durante a coleta que possam ter influenciado as respostas.
Escreva limitação seguida de encaminhamento: reconheça a fronteira e sugira o que uma pesquisa futura poderia fazer para superá-la. Isso transforma uma fraqueza declarada em agenda de pesquisa.

Resultados e discussão: erros que a banca cobra
- Descrever a tabela linha por linha no texto, sem selecionar o que importa.
- Usar adjetivo de valor na apresentação de resultados, como bom, ruim ou preocupante.
- Discutir sem citar nenhum autor, o que transforma interpretação em opinião pessoal.
- Trazer resultado que não responde a nenhum objetivo específico declarado.
- Deixar objetivo específico sem resultado correspondente.
- Confundir tabela com quadro e esquecer a fonte dos elementos visuais.
- Concluir mais do que os dados permitem, generalizando amostra pequena para a população inteira.
- Repetir na conclusão o que já foi dito na discussão, palavra por palavra.
Checklist de resultados e discussão antes de entregar
- Cada objetivo específico tem resultado correspondente, na mesma ordem da introdução.
- A apresentação de resultados está livre de julgamento de valor.
- Todo elemento visual é chamado no texto antes de aparecer.
- Toda tabela, quadro e figura tem título acima e fonte abaixo.
- Cada achado relevante passou pelos quatro movimentos da discussão.
- A comparação com a literatura diz explicitamente se converge ou diverge.
- Resultados contrários à expectativa foram discutidos, não escondidos.
- As limitações estão declaradas com encaminhamento para pesquisas futuras.
- A conclusão não repete a discussão, ela responde à pergunta de pesquisa.
Perguntas frequentes sobre resultados e discussão
Quantas páginas deve ter a seção de resultados e discussão?
Não há número fixo. Em monografias de graduação, costuma ocupar entre 25% e 35% do corpo do trabalho, o que dá algo entre 12 e 20 páginas em um TCC de 50. O critério real é ter discutido todos os objetivos com profundidade, não atingir uma contagem.
Posso usar primeira pessoa na discussão?
Depende do manual do curso. A tradição brasileira prefere impessoalidade, com construções como observou-se e verificou-se. Alguns programas já aceitam primeira pessoa do plural. Escolha um padrão e mantenha no trabalho inteiro.
Preciso discutir todos os dados que coletei?
Não. Discuta os que respondem aos objetivos. Dados secundários podem ficar apenas na apresentação de resultados, ou até em apêndice, se forem volumosos e pouco relevantes para o argumento.
Em pesquisa qualitativa, como apresento os resultados?
Por categorias de análise, com trechos das falas dos participantes identificados por código, como P1 e P2, preservando o anonimato. Cada categoria vira um bloco, e a discussão acontece logo após cada uma ou em seção própria, dependendo do formato escolhido.
A discussão pode trazer sugestões práticas?
Pode e deve, desde que decorram dos seus dados. Sugestão que não se apoia em nenhum achado do trabalho é palpite, e a banca cobra a origem. Amarre cada recomendação a um resultado específico.
Resultados e discussão: por onde começar hoje
Se a seção está travada, abra um documento em branco e liste os objetivos específicos, um por linha. Embaixo de cada um, escreva em uma frase o que você encontrou. Esse esqueleto de dez linhas é a espinha da seção inteira, e escrever em cima dele é infinitamente mais fácil do que encarar a página vazia.
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Escrito por Deivid Silva Santos
Fundador da TCC Solutions Group
Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.
O que dizem os estudantes que já passaram por aqui.
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Fiquei muito satisfeita com o serviço! A empresa foi super comprometida, entregou tudo na data certinha e com muita qualidade. Tirei nota máxima. Recomendo!


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