Desde 14 de maio de 2026, quem faz TCC na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás precisa entregar, junto com o trabalho, uma declaração informando quais ferramentas de inteligência artificial usou, em que etapas e quais comandos digitou. Sim, os prompts, transcritos. A exigência está na Resolução FD nº 02/2026, assinada pelo diretor da unidade e em vigor desde aquela data.

A regra não proíbe a IA. Ela troca a proibição por transparência obrigatória, e é esse o movimento que se repete em outras federais neste ano.
O que a UFG manda declarar, item por item
O artigo 9º, inciso XII, coloca entre os deveres do estudante informar ao orientador, de forma transparente, o uso de IA generativa, preenchendo um formulário próprio. O artigo 18 detalha o resto e começa com uma frase que vale ler devagar: o uso é permitido, mas não estimulado.
- IA não é autora e não pode ser listada como fonte, autora ou coautora.
- O estudante é o único responsável pela integridade, pela acurácia e pela originalidade do trabalho.
- Existe obrigação de revisar e validar tudo que a ferramenta gerar, para evitar alucinações e vieses.
- O inciso IV fecha a conta: é preciso descrever quais ferramentas foram usadas, em quais etapas (revisão linguística, estrutura, tradução) e, inclusive, os prompts aplicados.
O formulário está no Anexo III da resolução. Ele tem duas caixas de partida, uma para quem não usou nada e outra para quem usou, e nesse segundo caso pede ferramenta e versão, período de uso, finalidade e uma descrição com os prompts-tipo. Três declarações éticas precisam ser assinaladas para o trabalho ir à defesa, entre elas a de que a IA não gerou conteúdo original, ideias ou análises. Corretor ortográfico e gramatical não entra na conta e não precisa ser declarado.

Não é um caso isolado
Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação distribuiu um modelo padrão de declaração de uso de IA generativa. O Memorando Circular nº 88/2026 trouxe o formato para dissertações, teses, artigos e livros, e o de nº 93/2026 definiu onde ele fica: na parte pré-textual, logo depois dos agradecimentos. A orientação foi publicada no portal da universidade em 27 de abril de 2026.
Na UFRJ, o caminho é parecido e um pouco mais duro no tom. Em 18 de março de 2026 a universidade abriu para consulta a revisão das Diretrizes de Integridade Acadêmica e as Recomendações sobre o uso de inteligência artificial. O texto em consulta trata de passar a tarefa de escrever monografias, dissertações e teses para terceiros ou para sistemas de IA como desonestidade acadêmica, com sanções que podem chegar à perda do título. As recomendações também dão ao professor autonomia para definir, na própria disciplina, o que é uso aceitável.
Tudo isso conversa com a Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026, do CNPq, que instituiu a Política de Integridade na Atividade Científica e já tinha puxado a régua para cima no país inteiro. Se você ainda não viu o que ela pede, vale a leitura sobre a exigência do CNPq de declarar o uso de IA na pesquisa.
Por que isso pega justo agora
Agosto é o mês em que o segundo semestre começa e as turmas de TCC 2 entram na fase de escrita. Quem senta para escrever agora vai passar os próximos meses conversando com alguma ferramenta de IA, e o histórico dessa conversa virou documento acadêmico em uma parte crescente dos cursos.
O problema prático é simples de imaginar: descobrir a exigência na semana da entrega significa tentar reconstruir de memória o que você pediu à ferramenta três meses antes. Ninguém lembra. E declarar errado é pior do que não declarar, porque a assinatura no formulário é sua.

O que fazer agora
- Procure o regulamento do seu curso, não o da universidade inteira. Na UFG, quem publicou a regra foi a Faculdade de Direito. Cursos vizinhos da mesma instituição podem estar em outro estágio.
- Pergunte ao orientador por escrito. Um e-mail com a pergunta e a resposta dele resolve dúvida futura e serve de prova de boa-fé.
- Comece hoje o registro dos prompts. Um arquivo com data, ferramenta, versão e o comando usado basta. Cinco minutos por semana.
- Confira toda referência sugerida pela ferramenta. Referência inventada é o erro que mais aparece em banca e o mais fácil de detectar.
- Não use texto gerado sem reescrever. A declaração da UFG pede justamente que a IA não tenha produzido ideias, interpretações ou análises.
- Se o seu curso ainda não tem regra, siga a mais rígida que existir por perto. Declarar a mais nunca reprovou ninguém.
O que acontece com quem ignora
A resolução da UFG separa duas coisas. O uso não declarado de IA é falta de transparência, prevista no dever do artigo 9º. Já o plágio tem artigo próprio, o 11, e consequência direta: reprovação em Trabalho de Curso I ou II, sem que a alegação de boa-fé sirva de defesa. Constatado o plágio, a defesa pública nem chega a ser agendada; se a banca perceber na hora, a reprovação sai dali mesmo.
Vale reparar no ponto comum dos três documentos. Nenhum deles proíbe a ferramenta. Os três punem esconder que ela foi usada. Quem quiser entender como as instituições tentam identificar texto gerado por máquina pode ver o panorama de como funcionam os detectores de IA, e quem está começando agora encontra o passo a passo do uso responsável no guia sobre usar IA no TCC sem quebrar as regras.
A mudança de fundo é de hábito, não de tecnologia. Anotar o que você pediu à ferramenta custa pouco e resolve a parte chata da entrega. Deixar para lembrar depois custa a defesa.
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Escrito por Deivid Silva Santos
Fundador da TCC Solutions Group
Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.
O que dizem os estudantes que já passaram por aqui.
Super indico, já fiz três projetos para a faculdade, e tanto o David quanto a Amanda foram super atenciosos. Tive 100% de aprovação nos trabalhos.
Ótimo atendimento, entrega no prazo, me orientou em todas as dúvidas. Tirei nota máxima no projeto e entreguei também as horas complementares.
Tive uma excelente experiência com a TCC Solutions Group, que realizou meu projeto de extensão. Desde o início, demonstraram profissionalismo, comprometimento e domínio técnico em todas as etapas.
Minha experiência foi ótima, nada a reclamar dos atendimentos e muito menos dos trabalhos. Meu último trabalho foi um portfólio do curso Ciências Contábeis e foi excelente.
Fiquei muito satisfeita com o serviço! A empresa foi super comprometida, entregou tudo na data certinha e com muita qualidade. Tirei nota máxima. Recomendo!


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