Grifo nosso é a indicação usada em uma citação direta para informar que o destaque visual de uma palavra ou trecho foi acrescentado por quem está escrevendo o trabalho, e não fazia parte do texto original. A expressão evita que o leitor atribua ao autor consultado uma ênfase que foi criada pelo pesquisador.

Neste guia, você verá quando usar a indicação, qual é a diferença para “grifo do autor”, como posicioná-la em citações curtas e longas e como evitar erros frequentes. Os exemplos são didáticos e devem ser ajustados à edição da norma e ao manual adotado pela sua instituição.

Grifo nosso aplicado a uma citação acadêmica
A indicação informa ao leitor que o destaque foi inserido pelo pesquisador, preservando a transparência da citação.

Atualizado em 28/08/2026 · 13 min de leitura

O que significa grifo nosso?

“Grifar” significa destacar visualmente uma parte do texto. Em trabalhos acadêmicos, o destaque pode ser feito com itálico, negrito ou sublinhado, conforme a regra adotada. Quando você acrescenta essa ênfase dentro de uma transcrição literal, precisa declarar a intervenção. A indicação mais conhecida é “grifo nosso”.

Imagine que o documento original apresenta a frase inteira sem destaque, mas somente uma expressão é decisiva para sua análise. Ao reproduzir a passagem, você coloca essa expressão em itálico e informa, junto à chamada da citação, que o realce não pertence ao original. Assim, o leitor separa fielmente a voz do autor da intervenção gráfica do pesquisador.

A regra está relacionada ao princípio de integridade da citação direta: transcrever exatamente, marcar supressões ou acréscimos e identificar alterações relevantes. Para revisar o sistema completo, consulte o guia de citação direta e indireta ABNT.

Grifo nosso ou grifo do autor: qual usar?

Use grifo nosso quando o destaque foi acrescentado por você na citação. Use grifo do autor quando a palavra ou frase já estava destacada na fonte consultada. A diferença parece pequena, mas muda a responsabilidade pela ênfase.

Se o original já contém itálico para marcar um conceito e você preserva esse itálico na transcrição, a indicação atribui corretamente o destaque ao autor. Se o original está em fonte normal e você destaca uma expressão para direcionar a leitura, a indicação atribui a intervenção a você.

Não escolha entre as duas expressões pela aparência final. Compare sempre com a fonte original. Em PDF digitalizado, verifique se o destaque não surgiu de reconhecimento óptico, marcação pessoal do leitor ou formatação da edição. Quando consultar tradução ou reedição, confirme qual versão foi efetivamente citada.

Destaque acrescentado pelo autor em citação direta
A origem do destaque determina a indicação: intervenção do pesquisador ou ênfase já presente na obra.

Como usar grifo nosso em citação direta curta

A citação direta curta permanece no parágrafo e costuma aparecer entre aspas. A expressão de responsabilidade pelo destaque é colocada na chamada da citação, depois da página ou do localizador, de acordo com o sistema utilizado. O destaque deve atingir apenas o trecho necessário.

Exemplo didático no sistema autor-data: Segundo Silva (2024, p. 18, grifo nosso), “a delimitação transforma um tema amplo em um problema que pode ser investigado”. Nesse caso, imagine que a expressão “pode ser investigado” foi colocada em itálico no trabalho, embora estivesse sem destaque no original.

Exemplo com chamada ao final: “A leitura crítica exige comparação entre argumento, evidência e limite da fonte” (SILVA, 2024, p. 42, grifo nosso). O ponto mais importante não é decorar a posição da vírgula, mas deixar inequívoco quem criou a ênfase e seguir o padrão definido pelo manual.

Evite realçar uma frase inteira. Se tudo está destacado, o recurso perde função. Também não use cor fluorescente no arquivo acadêmico, a menos que o gênero ou a orientação autorize. Itálico costuma ser mais discreto e compatível com a apresentação formal.

Como usar em citação direta longa

A citação longa aparece em bloco separado, sem aspas, com recuo e formatação definidos pela instituição. A indicação de destaque permanece ligada à chamada da fonte. Mesmo com o bloco visualmente distinto, o leitor precisa saber que uma palavra em itálico, negrito ou sublinhado foi alterada por quem transcreveu.

Em um exemplo hipotético, o bloco termina com a chamada “(SILVA, 2024, p. 57, grifo nosso)”. Se o autor já havia destacado a expressão, use “grifo do autor”. Não combine as duas indicações sem necessidade. Quando há destaques de origens diferentes no mesmo bloco, a solução precisa ser explicada com precisão e validada no manual local.

As regras de recuo, fonte, espaçamento e pontuação da citação longa devem ser conferidas na versão vigente da norma e no modelo da faculdade. O catálogo da ABNT ajuda a verificar a norma aplicável, mas o acesso ao texto integral pode depender da biblioteca institucional.

Passo a passo para aplicar a indicação corretamente

1. Confira o trecho no documento original

Abra a página citada e compare palavra por palavra. Verifique pontuação, grafia, maiúsculas e a existência de destaque. Não trabalhe apenas com uma citação copiada de outro artigo, pois você pode reproduzir uma intervenção que pertence ao autor intermediário.

2. Defina por que o destaque é necessário

A ênfase deve apoiar a análise que vem antes ou depois da citação. Se o parágrafo não explica a relevância do trecho destacado, o recurso pode parecer decorativo. Pergunte qual conceito precisa ser percebido pelo leitor e destaque apenas essa unidade.

3. Escolha um padrão visual

Use itálico, negrito ou outro recurso aceito pelo manual. Mantenha o mesmo padrão em todo o trabalho. Não alterne recursos sem função, porque isso cria ambiguidade entre destaque conceitual, título de obra, palavra estrangeira e intervenção na citação.

Diferença entre grifo do autor e grifo nosso
A conferência da fonte original impede que uma ênfase de terceiros seja atribuída incorretamente ao pesquisador.

4. Insira a informação na chamada

Acrescente a expressão depois dos elementos de localização da citação, seguindo a pontuação adotada. A chamada deve continuar permitindo a identificação completa da obra na lista de referências. Não transforme a indicação em nota solta sem vínculo com a fonte.

5. Revise a correspondência

Confirme que todo trecho com indicação contém de fato um destaque criado por você. Faça também o inverso: procure citações diretas com itálico ou negrito e verifique se a origem da ênfase foi declarada. Essa dupla checagem encontra inconsistências que passam despercebidas na leitura comum.

Exemplos práticos de grifo nosso

Destaque de conceito central

Texto original hipotético: “A validade da análise depende da coerência entre pergunta, método e evidência.” Na citação, o pesquisador coloca “coerência entre pergunta, método e evidência” em itálico. A chamada termina com a indicação de que a ênfase foi acrescentada no trabalho.

Destaque em documento jurídico

Ao transcrever um artigo de lei ou decisão, o autor do TCC pode realçar a expressão diretamente relacionada ao argumento. É necessário identificar a intervenção e manter a redação original. Não use a ênfase para sugerir que o tribunal destacou uma passagem que estava em formato normal.

Destaque já presente na fonte

Se um livro apresenta um termo em itálico e a transcrição o preserva, a indicação correta atribui o destaque ao autor. Em materiais digitais, confirme se o itálico pertence ao conteúdo e não à interface, ao link ou à marcação pessoal do arquivo.

Destaque em tradução do pesquisador

Quando você traduz e também destaca um trecho, existem duas intervenções diferentes. A tradução precisa ser identificada conforme a regra adotada, e a ênfase também. Não tente resolver ambas apenas com a expressão “grifo nosso”. Consulte a orientação institucional para formular uma nota clara.

Grifo meu, grifo próprio ou grifo nosso?

É comum encontrar as formas “grifo meu”, “grifo próprio” e “grifo nosso”. Em trabalhos acadêmicos brasileiros, “grifo nosso” é a expressão tradicional mesmo quando há apenas um autor. Algumas instituições ou atualizações normativas podem preferir outra redação, por isso o manual local e a versão vigente da norma devem orientar a escolha.

O essencial é a função comunicativa: declarar que a ênfase não estava no original. Não misture formas ao longo do documento. Se o curso determina “grifo nosso”, use-a em todas as ocorrências. Se o manual prescreve “grifo próprio”, aplique esse padrão de modo consistente.

A lista completa de particularidades pode ser conferida no guia da ABNT NBR 10520 e, principalmente, no documento oficial adotado pela instituição.

Quando não usar grifo nosso

Não use em citação indireta, porque a ideia está sendo parafraseada e não há uma transcrição cujo destaque precise ser atribuído. Você pode enfatizar uma palavra do seu próprio parágrafo conforme o estilo do texto, mas não precisa declarar intervenção em um original que não foi reproduzido literalmente.

Não use para marcar erro do original. Erros mantidos em citação direta têm tratamento próprio, como a indicação correspondente prevista nas regras de citação. Também não use para sinalizar supressão, comentário ou acréscimo; esses procedimentos possuem convenções específicas.

Não acrescente a indicação automaticamente a toda citação. A maioria das citações não precisa de destaque. O uso excessivo dirige a leitura de forma artificial e aumenta a quantidade de elementos editoriais sem melhorar a argumentação.

Erros frequentes

Checklist para revisar as citações destacadas

Posição da indicação grifo nosso na citação
A revisão compara cada destaque com a fonte original e confirma autoria, localização e consistência visual.

Faça essa conferência em uma leitura separada da revisão ortográfica. Quando o foco está apenas nas citações, fica mais fácil perceber mudança de fonte, itálico perdido, chamada incompleta ou destaque que não corresponde ao documento original.

Revisão do uso de grifo nosso em trabalho acadêmico
A revisão acompanhada ajuda a verificar se a ênfase, a chamada e a interpretação permanecem coerentes.

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Perguntas frequentes sobre grifo nosso

A expressão fica em itálico?

Normalmente a indicação aparece como parte da chamada, sem necessidade de destaque adicional. A palavra ou o trecho que você deseja enfatizar é que recebe o recurso visual. Confirme a apresentação exigida pelo manual.

Posso usar negrito em vez de itálico?

Depende do padrão adotado. O importante é que o destaque seja perceptível, consistente e acompanhado da indicação correta. Muitas instituições preferem itálico por ser mais discreto.

Como fazer quando o original já tem uma palavra em itálico e eu destaco outra?

Há duas origens de ênfase no mesmo trecho. A solução precisa distinguir claramente o destaque preservado e o acrescentado. Em vez de improvisar, consulte o manual ou o orientador para redigir uma nota inequívoca.

Precisa constar na referência?

Não. A indicação pertence à citação no corpo do texto. A referência registra os dados bibliográficos da obra, e não as intervenções gráficas feitas em cada passagem citada.

Grifo nosso serve para corrigir erro de português?

Não. A citação direta deve preservar o original. A marcação de erro, a supressão e o acréscimo explicativo possuem convenções próprias. O destaque apenas chama atenção para uma parte do trecho.

Posso usar em citação de site sem página?

É possível destacar parte de uma citação de conteúdo digital, mas a chamada deve usar o localizador aceito para aquela fonte, quando disponível. Informe também data, autoria e demais elementos necessários para a identificação.

Conclusão

Usar grifo nosso corretamente é uma questão de transparência. A expressão informa que a ênfase foi acrescentada pelo pesquisador e impede que o leitor atribua essa decisão ao autor consultado. O procedimento deve permanecer vinculado a uma citação direta, com fonte e localização verificáveis.

Antes de finalizar, compare cada destaque com o original, confirme quem o criou, mantenha um padrão visual e revise a chamada. Essa rotina simples evita distorções e torna a escrita acadêmica mais precisa.

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Deivid Silva Santos, fundador da TCC Solutions Group

Escrito por Deivid Silva Santos

Fundador da TCC Solutions Group

Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.

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