Um relatório de laboratório registra o que foi investigado, como o procedimento ocorreu, quais dados foram obtidos e o que esses resultados permitem concluir. Ele não é uma cópia do roteiro da aula nem uma coleção de fotografias. O leitor precisa reconstruir a lógica do experimento, acompanhar o tratamento dos dados e avaliar se a interpretação respeita as medições e as limitações observadas.

Este guia apresenta uma estrutura adaptável, explica como escrever método, resultados, gráficos, discussão e conclusão e oferece uma revisão em 10 passos. As exigências variam entre disciplinas e professores. Antes de usar qualquer modelo de relatório de laboratório, confira o roteiro da prática, a rubrica de avaliação, o limite de páginas e o manual da instituição.

Relatório de laboratório com caderno, amostras e instrumentos
O relatório conecta procedimento, dados, análise e conclusão em uma narrativa verificável.

Atualizado em 12/09/2026 · 16 min de leitura

O que um relatório de laboratório precisa demonstrar

O relatório de laboratório demonstra compreensão do fenômeno e domínio do caminho experimental. Uma pessoa que não participou da aula deve conseguir reconhecer o objetivo, os materiais relevantes, as condições de execução, os dados brutos, os cálculos, as incertezas consideradas e o raciocínio que levou à conclusão. O nível de detalhe depende da área e da finalidade, mas clareza e rastreabilidade são constantes.

Em uma disciplina, o documento também permite ao professor avaliar competências diferentes: planejamento, registro, uso responsável de unidades, representação gráfica, análise de erro, comparação com teoria e escrita científica. A página de relatórios de Física Experimental da UFSC orienta seus alunos a apresentar introdução, descrição experimental, dados, análise, discussão e conclusão, além de destacar que regras específicas podem variar entre docentes.

Já um relatório profissional de ensaio pode seguir requisitos regulatórios e de qualidade que não se aplicam integralmente a uma aula. A Portaria Inmetro nº 200/2021 determina, em seu contexto, que resultados de ensaio sejam relatados de forma precisa, clara, objetiva e sem ambiguidades, com informações necessárias à interpretação. Esse princípio é útil para a escrita acadêmica, mas não autoriza transformar um trabalho de graduação em laudo acreditado.

O objetivo não é provar que o experimento “deu certo” a qualquer custo. Resultados diferentes do esperado também podem produzir uma boa análise quando o estudante registra o que ocorreu, testa cálculos, discute fontes de erro e limita o alcance das conclusões. Ajustar números para aproximá-los da teoria compromete a integridade do relatório.

Como montar o relatório de laboratório em 10 passos

  1. Leia o roteiro antes da prática: identifique objetivo, variáveis, instrumentos e registros obrigatórios.
  2. Prepare uma tabela de campo: deixe espaço para unidade, resolução do instrumento, condições e observações.
  3. Registre durante o experimento: anote desvios do procedimento, falhas e decisões no momento em que ocorrerem.
  4. Preserve os dados brutos: não substitua medições por valores calculados.
  5. Confira unidades e algarismos: mantenha consistência entre registro, cálculo, tabela e gráfico.
  6. Organize o arquivo: siga a ordem solicitada pela disciplina.
  7. Descreva o método real: relate o que foi feito, incluindo alterações relevantes.
  8. Trate e apresente os dados: mostre fórmulas, exemplos de cálculo, tabelas e gráficos necessários.
  9. Discuta os resultados: compare evidência, expectativa, incerteza e possíveis limitações.
  10. Revise a rastreabilidade: confirme se cada conclusão pode ser ligada a dados e análise.

Esse fluxo serve tanto para um relatório de aula prática em laboratório quanto para relatórios acadêmicos mais extensos, com os ajustes exigidos pelo curso. Se a rubrica limitar páginas, priorize informação analítica e remova repetições, não os dados essenciais. Anexos podem receber registros brutos ou memórias de cálculo quando o professor permitir.

Etapas do relatório de aula prática em laboratório
O registro feito durante a prática reduz lacunas na descrição do procedimento.

Estrutura e modelo de relatório de laboratório

Um modelo de relatório de laboratório pode conter identificação, título da prática, resumo quando exigido, introdução, objetivo, materiais e métodos, resultados, discussão, conclusão, referências e anexos. Alguns cursos unem resultados e discussão; outros separam parte experimental de materiais e métodos. Há disciplinas que dispensam capa e pedem apenas cabeçalho na primeira página. Portanto, o modelo correto é o que atende à atividade.

Identificação e título

Inclua os dados pedidos, como disciplina, turma, grupo, participantes, professor, data e identificação do experimento. O título deve nomear a prática ou o fenômeno estudado, não apenas usar “Relatório”. Não acrescente informações pessoais que não foram solicitadas.

Resumo

Quando necessário, informe objetivo, método essencial, resultado central e conclusão em um parágrafo autossuficiente. Escreva depois de completar o trabalho. Evite citações, contextualização longa e frases vagas como “os resultados foram satisfatórios” sem indicar o que foi observado.

Introdução e objetivo

A introdução apresenta o conceito necessário para compreender a prática, delimita o fenômeno e conduz ao objetivo. Use fontes confiáveis e cite-as. Não copie a introdução do roteiro. O objetivo deve ser verificável, como medir, determinar, comparar, estimar ou testar. Se houver vários objetivos, organize-os sem criar ações que o experimento não executou.

Materiais e métodos

Identifique materiais relevantes, equipamentos, condições, amostras, variáveis e procedimento. O método precisa corresponder à execução real. Indique alterações que possam afetar os dados. Em vez de narrar movimentos óbvios, priorize informação que permite compreender e avaliar a prática.

Resultados, discussão e conclusão

Resultados apresentam dados tratados; discussão interpreta; conclusão responde ao objetivo. Embora possam estar em uma seção conjunta, essas funções não devem se misturar a ponto de esconder a evidência. Para um panorama mais amplo de relatórios, consulte o conteúdo sobre relatório acadêmico.

Como escrever materiais e métodos com precisão

Comece pela sequência efetivamente executada. Informe configuração relevante do equipamento, quantidade ou característica da amostra, condições ambientais quando interferirem, número de repetições, variável manipulada, variável observada e forma de registro. Se um equipamento foi substituído ou uma etapa repetida, registre a alteração e o motivo conhecido.

Um relatório de laboratório não precisa copiar especificações irrelevantes de todos os objetos. Dizer a cor da bancada raramente ajuda; registrar a resolução do instrumento pode ser essencial. Pergunte se a informação muda a interpretação, a reprodutibilidade ou a estimativa de incerteza. Use esse filtro para equilibrar detalhe e concisão.

A redação pode usar voz ativa ou passiva conforme o padrão do curso. O mais importante é eliminar ambiguidade. “Foi aquecido” é incompleto se o leitor não sabe o quê, a qual temperatura, por quanto tempo e sob qual controle. “A amostra foi mantida em banho a 60 °C por 10 minutos” comunica condições observáveis. Não invente precisão que não existia no procedimento.

Esquemas do arranjo experimental podem ser mais úteis que fotografias. Numere a figura, inclua legenda e indique componentes essenciais. Mencione-a no texto antes ou logo depois de sua aparição. A disciplina de Engenharia Genética da USP, em sua orientação de atividade de laboratório, exemplifica como objetivos, resultados, discussão, conclusão e bibliografia podem compor a entrega, reforçando a variação entre contextos.

Conecte o método ao objetivo. Se a meta é determinar concentração, explique como o sinal foi convertido em concentração e quais padrões foram usados. Se é comparar duas condições, informe como a comparação foi controlada. O guia de metodologia científica ajuda a diferenciar método, técnica e procedimento.

Inclua controles e repetições quando fizerem parte da prática. Um controle permite interpretar se a resposta depende da condição testada; repetições ajudam a observar dispersão. Não acrescente controles que não foram usados nem descreva replicatas em quantidade diferente da realizada. O relatório de laboratório precisa preservar a correspondência entre planejamento, execução e análise.

Se o grupo dividiu tarefas, reúna os registros antes de redigir. Compare horários, unidades, nomes de amostras e sequência de etapas. Pequenas diferenças de anotação podem gerar colunas incompatíveis ou duplicação de medições. Crie uma tabela-mestra que mantenha o dado original e registre qualquer correção de transcrição sem apagar o valor anterior.

Como apresentar dados, cálculos, tabelas e gráficos

Separe dado bruto de resultado calculado. Uma leitura de instrumento é dado bruto; a média de várias leituras é resultado de tratamento. Preserve a tabela original e mostre pelo menos um exemplo de cálculo quando houver repetição da mesma fórmula. Informe unidades em cabeçalhos, símbolos definidos e arredondamento compatível com a precisão do experimento.

Tabelas devem favorecer comparação. Use título claro, colunas com unidade e número adequado de casas decimais. Evite repetir a mesma informação em tabela e gráfico sem necessidade. Se o gráfico evidencia tendência, a tabela pode ser reservada aos dados completos ou ao anexo. Se valores exatos são decisivos, mantenha-os acessíveis.

Dados, gráficos e incertezas em relatório de laboratório
Gráficos mostram relações; tabelas preservam valores e unidades para conferência.

Um gráfico acadêmico precisa de identificação dos eixos, unidades, escala legível, legenda quando existirem séries e representação da incerteza quando pertinente. Não use gráfico de setores para mostrar uma relação contínua nem gráfico de linha para categorias sem ordem apenas por estética. A forma visual deve responder à pergunta experimental.

Ao ajustar uma reta ou curva, diga qual modelo foi aplicado e por quê. Apresente parâmetros relevantes, unidade, qualidade do ajuste e resíduos quando solicitados. Não interprete um coeficiente isolado sem verificar o domínio dos dados. Se o roteiro pedir regressão, mostre como ela se relaciona à grandeza procurada.

A tabulação de dados deve ser auditável: cada valor tratado precisa remontar à observação original. Guarde planilhas, nomes de arquivos, fórmulas e versões. Erros de copiar e colar são comuns quando colunas não possuem identificação estável.

Discussão: como interpretar resultados e incertezas

A discussão responde “o que os resultados significam diante do objetivo?”. Comece pelo achado principal, não pela repetição de todas as medições. Compare o resultado com valor teórico, nominal ou referência apenas quando a comparação for adequada. Em seguida, avalie compatibilidade dentro da incerteza e explique discrepâncias sustentadas pelo procedimento.

Evite a frase “o erro ocorreu por falha humana” sem especificação. Identifique mecanismos: leitura de paralaxe, tempo de resposta do sensor, perda de material, contaminação, calibração inadequada, variação de temperatura, aproximação do modelo ou número insuficiente de repetições. Depois, explique a direção possível do efeito e se há evidência de que ele ocorreu.

Comparação entre resultado experimental e referência teórica
A discrepância precisa ser quantificada e ligada a causas plausíveis, não escondida.

Diferencie erro aleatório, tendência sistemática e engano operacional. Repetições ajudam a caracterizar dispersão, mas não eliminam viés sistemático. Um instrumento mal zerado pode fornecer medidas muito consistentes e ainda assim deslocadas. Quando o curso trabalha com incerteza, siga a convenção ensinada e não troque termos técnicos apenas para tornar o texto mais simples.

Compare também com literatura. Use uma fonte que descreva o fenômeno, a constante ou o método, e verifique se as condições são equivalentes. Um valor obtido em temperatura, material ou escala diferente pode não ser diretamente comparável. A discussão deve tornar essas diferenças visíveis.

Para organizar a seção, use a ordem: resultado, expectativa, grau de compatibilidade, explicação, limitação e implicação para o objetivo. O conteúdo sobre resultados e discussão apresenta critérios adicionais para separar descrição e interpretação.

Figuras, citações, referências e padrão acadêmico

Fotografias, esquemas, tabelas e gráficos precisam ser numerados, intitulados e mencionados no texto. Uma imagem só deve permanecer se ajuda a compreender montagem, amostra, resultado ou anomalia. Evite fotos decorativas da turma e capturas de tela com elementos ilegíveis. Se houver identificação de pessoas ou dados sensíveis, respeite as orientações da disciplina e de ética.

Cite a fonte de teoria, equações, constantes, métodos ou imagens que não são de autoria do grupo. Em trabalhos regidos por ABNT, use as versões atuais aplicáveis: NBR 10520:2023 para citações, NBR 6023:2025 para referências e NBR 14724:2024 para apresentação acadêmica quando solicitada. O manual institucional define escolhas de formatação permitidas.

O texto pode incluir equações numeradas, símbolos definidos e unidade do Sistema Internacional, conforme a prática da área. Explique cada variável antes de usar a fórmula. Não apresente uma equação retirada de fonte sem conectar seus termos aos dados medidos. Se uma constante foi obtida da literatura, cite-a e informe a unidade.

Na lista final, confira correspondência entre citações e referências. Teste links e DOI. Se o professor forneceu uma apostila, registre-a conforme o padrão adotado e use fontes complementares quando o relatório exigir contextualização. Veja critérios gerais de apresentação em trabalho acadêmico.

Erros comuns e checklist antes da entrega

Um relatório de laboratório pronto encontrado na internet não substitui seu registro. Experimentos parecidos podem usar condições, instrumentos e dados diferentes. Copiar resultados impede a análise da prática e pode configurar violação acadêmica. Um relatório de laboratório exemplo serve apenas para observar organização, nunca para importar medições ou conclusões.

Faça uma leitura cruzada: para cada afirmação da conclusão, identifique o gráfico, a tabela ou o cálculo que a sustenta. Depois faça o caminho inverso e pergunte se cada resultado importante foi interpretado. Esse teste revela dados órfãos e conclusões sem base.

Abra também o arquivo em outro dispositivo ou exporte para o formato exigido. Confirme se equações, símbolos, legendas e casas decimais permaneceram legíveis. Uma quebra de página pode separar tabela e título, enquanto a conversão pode trocar caracteres. Salve a versão entregue com nome identificável e mantenha junto os dados usados no relatório de laboratório.

Quando o professor devolver comentários, transforme-os em critérios para a próxima prática. Registre problemas de método, cálculo, discussão e apresentação em categorias distintas. Essa retroalimentação melhora o caderno de campo e reduz correções tardias no próximo relatório de laboratório.

Checklist de revisão do relatório de laboratório
A revisão final conecta cada conclusão à evidência registrada no experimento.

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Perguntas frequentes sobre relatório de laboratório

Qual é a ordem de um relatório de aula prática em laboratório?

Uma ordem comum é identificação, introdução, objetivo, materiais e métodos, resultados, discussão, conclusão e referências. Use a sequência definida no roteiro ou na rubrica da disciplina.

Resultados e discussão podem ficar juntos?

Sim, quando o professor permitir. Mesmo unidos, apresente o dado antes de interpretá-lo e deixe clara a relação entre evidência, expectativa e conclusão.

Preciso colocar todos os cálculos?

Mostre as fórmulas, defina variáveis e inclua exemplos que permitam reproduzir o tratamento. Cálculos repetitivos podem ir para anexo ou planilha se a disciplina aceitar.

Posso apagar uma medição que ficou diferente?

Não a remova apenas por discordar da expectativa. Registre o dado, verifique erro de transcrição, aplique o critério técnico ensinado e discuta qualquer exclusão de forma transparente.

Como escrever a conclusão do relatório?

Retome o objetivo, apresente os resultados centrais, informe se foram compatíveis com a expectativa dentro dos critérios usados e reconheça limitações relevantes.

Um relatório de laboratório precisa de referências?

Sim, quando usa conceitos, métodos, constantes, equações ou imagens de outras fontes. A quantidade depende do conteúdo e das regras da atividade.

Fotografias são obrigatórias?

Não existe regra geral. Inclua apenas quando forem solicitadas ou quando documentarem montagem, amostra ou evento relevante. Respeite privacidade e legenda adequada.

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Deivid Silva Santos, fundador da TCC Solutions Group

Escrito por Deivid Silva Santos

Fundador da TCC Solutions Group

Fundador da TCC Solutions Group, empresa de orientação acadêmica de Londrina (PR) com nota 5,0 e mais de 150 avaliações no Google. Acompanha alunos de todo o Brasil na estruturação de projetos de extensão, relatórios de estágio e trabalhos de conclusão.

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